Uma mulher, uma escritora inglesa. Ela escreveu um artigo riquíssimo na revista Piauí de fevereiro de 2011, para marcar sua posição e problematizar a questão internética. A autora, diz e nomeia sua matéria: "Quero ficar na geração 1.0".
Dentre as brilhantes construções, críticas e questões que coloca, destaco uma. Ela escreve: "...quando uma adolescente é assassinada, pelo menos na Inglaterra, seu mural do facebook muitas vezes se cobre de mensagens que parecem não se ter dado conta da gravidade do que ocorreu. "
A menina assassinada, presupõe-se que está morta certo? Pois bem, no mural da página de seu facebook existiam frases do tipo: "Que peeeeena querida! Ai que saudade! Agora vc tá com os anjinhos do céu! Lembrei que adorava muuuuito as suas piadas rsrsrs! PAZ! Bjs".
Pasmem!!!!!!!!!!
A autora, ficou assustada com alguns fatos. Ela se pergunta como é possível o mural da menina ainda estar no ar já que faleceu e também se as jovens amigas ainda acreditam que a menina está viva.
Porém, responde: "E que diferença faz se, no fim das contas, todo o contato com ela sempre foi virtual?".
O que significa essa forma de contato? É uma forma,mas, seria esta, uma relação?
Sem moralismos com questões da máquina, o mundo virtual está para além dos computadores.Porém, ali, em um "lugar" invisível, nega-se a tragicidade e a violência de uma situação absurda. No virtual, ignora-se perversamente o limite último do homem. A morte.
Lá, não há luto que possa significar e resignificar a perda. Aliás, algo que não apareçe no mundo virtual é a falta.
Mas, há algo de bom em encontrar antigas amizades e se sentir incluído no que supostamente se denomina social. O problema é que a menina morre e é como se não tivesse morrido. Isso a exclui. A ilusão está em supor que se está incluso.
O sujeito virtual, está excluído de si mesmo.
Ele se aliena ao outro e isso aparece na forclusão da morte de um amigo. Ele é o outro, ele é todos os outros. Aos cacos, ao corpo fragmentado que o sujeito se dá para se cindido, ele se aliena.
No virtual, não há possibilidade de separação. Não há perda.
Há palavras que buscam a complementariedade para dar conta do nosso vazio estrutural....
sábado, 2 de abril de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
Quando se busca uma análise?
Via de regra, quando nos encontramos angustiados, em sofrimento, fazemos algo. Alguns comem demais, alguns choram, alguns trabalham excessivamente, alguns dançam, cantam, reclamam de tudo, se isolam, buscam amigos para falar... Cada sujeito tem uma saída frente à dor. Outros, buscam cartomantes, psicólogos, igrejas, xamãs, yoga, shiatsu, remédios...
Cada área do saber olha o ser humano sob um prisma. O médico, vê o corpo físico, a questão orgânica. Trata medicando ou dizendo que não é necessária a medicação.
O psicólogo, avalia o grau de ajustamento do ser ao social. O tratamento se dá por um "concerto" emocional.
O psicanalista, trata pela via da fala. Desde o início do tratamento, propõe que há uma dimensão de não saber na estrutura psíquica de todos os seres humanos. Isso, significa que além de sermos seres faltantes, incompletos, que jamais saberemos tudo. Esse princípio socratiniano do "só sei que nada sei" tráz à luz o INCONSCIENTE. ELE, existe e se manifesta pela via dos sonhos, atos falhos, chistes, silêncios...
Quando o ser não sabe porque disse tal coisas, quando tem atitudes que não entende, quando sente um mal-estar que não identifica da onde vem, aí, encontramos algo que vai além da razão. Um não saber. Algo da ordem inconsciente.
A psicanálise, como uma das muitas áreas do saber, pode oferecer um olhar e uma escuta do sujeito que sofre sabendo que não se sabe do outro. Isto é um diferencial das outras áreas na medida em que na medicina e na psicologia o outro sabe. O médico, se coloca como aquele que sabe do corpo. O psicólogo aquele que sabe da emoção, razão, da adequação.
O analista sabe até onde foi sua própria análise. É neste ponto que ele poderá saber até onde pode ajudar o analisante. É de um saber inconsciente que se trata.
Cada sujeito é singular, tem uma história de vida e responde ao lugar que foi colocado no mundo de uma forma. Acontece que ás vezes a saída que se encontrou não está mais satisfatória. Aparece um sofrimento.
O analista vai tratar propondo que o analisante fale de seu mal estar. Vai intervir e fazer o paciente trabalhar e desejar saber sobre seu inconsciente, sobre o que manca em sua vida, sobre suas faltas.
E o desfecho, é particular de cada um. Se a falta existe, ele deseja...
Cada área do saber olha o ser humano sob um prisma. O médico, vê o corpo físico, a questão orgânica. Trata medicando ou dizendo que não é necessária a medicação.
O psicólogo, avalia o grau de ajustamento do ser ao social. O tratamento se dá por um "concerto" emocional.
O psicanalista, trata pela via da fala. Desde o início do tratamento, propõe que há uma dimensão de não saber na estrutura psíquica de todos os seres humanos. Isso, significa que além de sermos seres faltantes, incompletos, que jamais saberemos tudo. Esse princípio socratiniano do "só sei que nada sei" tráz à luz o INCONSCIENTE. ELE, existe e se manifesta pela via dos sonhos, atos falhos, chistes, silêncios...
Quando o ser não sabe porque disse tal coisas, quando tem atitudes que não entende, quando sente um mal-estar que não identifica da onde vem, aí, encontramos algo que vai além da razão. Um não saber. Algo da ordem inconsciente.
A psicanálise, como uma das muitas áreas do saber, pode oferecer um olhar e uma escuta do sujeito que sofre sabendo que não se sabe do outro. Isto é um diferencial das outras áreas na medida em que na medicina e na psicologia o outro sabe. O médico, se coloca como aquele que sabe do corpo. O psicólogo aquele que sabe da emoção, razão, da adequação.
O analista sabe até onde foi sua própria análise. É neste ponto que ele poderá saber até onde pode ajudar o analisante. É de um saber inconsciente que se trata.
Cada sujeito é singular, tem uma história de vida e responde ao lugar que foi colocado no mundo de uma forma. Acontece que ás vezes a saída que se encontrou não está mais satisfatória. Aparece um sofrimento.
O analista vai tratar propondo que o analisante fale de seu mal estar. Vai intervir e fazer o paciente trabalhar e desejar saber sobre seu inconsciente, sobre o que manca em sua vida, sobre suas faltas.
E o desfecho, é particular de cada um. Se a falta existe, ele deseja...
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Ainda sobre o cisne negro...a bailarina- louca?
Menos perturbada, acrescento um ponto que se destaca na minha pretensão de analisar o filme. O SUPEREGO tirano. Fica evidente a rigidez deste. Quando isso ocorre, não sobram mesmo muitas saídas para o sujeito. Acontece, que, ao mesmo tempo que o superego exige, ordena, ele é o que possibilita o sujeito gozar. Nese sentido, aonde tem excesso de gozo, tem desejo de menos.
O gozo da pressão, da idéia de alcançar uma perfeição. Um mundo sem falhas. Ufa! Que terror. Um mundo perfeito, se é que pode ser viável, não deixa o sujeito desejar. Tudo bem que ela queria o papel principal. É que o desejo, não me parece que seja da ordem do querer. Como ela poderia desejar se uma das condições de desejar é estar separado do outro?
A personagem, estava alienada no desejo materno. Qual seria seu desejo caso não estivesse alienada?
O ballet, se coloca aqui, como sua estrutura de transmissão psiquíca entre gerações: a mãe frustrada, a filha falo. Essa relação, encerra-se em um circuito imagináriamente dual, carente de significantes.
Alucinações provenientes desta forma de relação especular. Como se uma possível tradução fosse: Minha filha é o que eu desejo. A filha, pode até ser o que a mãe deseja, mas, nunca sem consequências.
Ela poderia fazer uma análise para após algum trabalho psíquico, se colocar neste lugar (de ser o falo da mãe), mas responsável por isso. Sabendo disto.
No caso, apareceu sua loucura, que nos deixa uma questão. O louco, precisaria passar por sua própria loucura para se curar? No caso da personagem, viver essa loucura,foi a morte. Tentando dar conta desta mãe, ela enlouquece.
Mas era louca de fato? Como se articula o superego na psicose? E as auto-flagelações? Masoquismo feminino? Punição do superego por atacar a mãe inconscientemente? Porque em suas alucinações não matou a mãe? Em nome do amor? O amor que leva a morte? Amor cortês?
O gozo da pressão, da idéia de alcançar uma perfeição. Um mundo sem falhas. Ufa! Que terror. Um mundo perfeito, se é que pode ser viável, não deixa o sujeito desejar. Tudo bem que ela queria o papel principal. É que o desejo, não me parece que seja da ordem do querer. Como ela poderia desejar se uma das condições de desejar é estar separado do outro?
A personagem, estava alienada no desejo materno. Qual seria seu desejo caso não estivesse alienada?
O ballet, se coloca aqui, como sua estrutura de transmissão psiquíca entre gerações: a mãe frustrada, a filha falo. Essa relação, encerra-se em um circuito imagináriamente dual, carente de significantes.
Alucinações provenientes desta forma de relação especular. Como se uma possível tradução fosse: Minha filha é o que eu desejo. A filha, pode até ser o que a mãe deseja, mas, nunca sem consequências.
Ela poderia fazer uma análise para após algum trabalho psíquico, se colocar neste lugar (de ser o falo da mãe), mas responsável por isso. Sabendo disto.
No caso, apareceu sua loucura, que nos deixa uma questão. O louco, precisaria passar por sua própria loucura para se curar? No caso da personagem, viver essa loucura,foi a morte. Tentando dar conta desta mãe, ela enlouquece.
Mas era louca de fato? Como se articula o superego na psicose? E as auto-flagelações? Masoquismo feminino? Punição do superego por atacar a mãe inconscientemente? Porque em suas alucinações não matou a mãe? Em nome do amor? O amor que leva a morte? Amor cortês?
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Cisne negro, o filme
Porquê negro? Tradicionalmente, no ballet, este clássico, é conhecido como "O lago dos cisnes". O filme que estreiou e está pipocando nas salas de cinema, concorrendo ao Oscar se chama: Cisne negro. Novamente, porque negro?
Me parece que estamos no campo dos anjos e demônios, mocinhos e bandidos, ou seja, no campo infantil. Infantil no sentido de dividirmos o mundo entre bom e mau, as pessoas entre fortes e fracas, vítimas e algozes. A criança, via de regra, não concebe o cuidador como alguém com falhas, que pode ter um lado bom mas outro nem tanto.
No filme, tenta-se uma espécie de unificação entre o lado angelical e o lado obscuro de uma mulher. Quando a mesma personagem dança em dois lugares (do fraco e do forte), ela se cinde. Não há espaço para uma dialética.
Ela tenta, mas a única e radical saída que encontra é a morte.
A bailarina que perdeu o papel principal na companhia de dança, se mata. A bailarina que ganhou o papel principal, também se mata.
A personagem de Natalie Portman, tem uma mãe bruxa, maligna. Uma mãe que não realizou o desejo de ser bailarina ou que realizou e não foi o suficiente. O ballet, parece ser um tipo de dança na qual as transmissões psíquicas entre mãe e filha ocorrem.
O filme trouxe a tona o dark continente. A mulher e o que ela não diz. Como pode uma menina se tornar mulher sem confrontar e encarar sua relação com a mãe? Como o ballet tras a tona esse vínculo tão especial e muitas vezes mortífero.
A mulher e sua falta. Quando se torna mãe, vive na ilusão de ser preenchida por um bebê falo. A personagem era o falo da mãe. Neste lugar, o desfecho foi uma série de sintomas como auto-flagelação, vômitos e alucinações com caráter paranóico.
Como podemos analisar o filme? Do ponto de vista da transmissão psíquica no ballet? Sob o olhar do feminino?
E a perfeição que o ballet tanto almeja? No final, ela diz: "agora está perfeito". Quando morre está perfeito? Instinto de auto-destruição que o ballet invoca?
E o gozo? Que gozo é esse? Que lugar no mundo cada personagem se encontra? Como ser um cisne negro que é aquele que causa o desejo do outro? Como causar?
Longe de fechar questão, o filme abre para outras tantas, mas, deixa sua marca: A PERTURBAÇÃO.
Me parece que estamos no campo dos anjos e demônios, mocinhos e bandidos, ou seja, no campo infantil. Infantil no sentido de dividirmos o mundo entre bom e mau, as pessoas entre fortes e fracas, vítimas e algozes. A criança, via de regra, não concebe o cuidador como alguém com falhas, que pode ter um lado bom mas outro nem tanto.
No filme, tenta-se uma espécie de unificação entre o lado angelical e o lado obscuro de uma mulher. Quando a mesma personagem dança em dois lugares (do fraco e do forte), ela se cinde. Não há espaço para uma dialética.
Ela tenta, mas a única e radical saída que encontra é a morte.
A bailarina que perdeu o papel principal na companhia de dança, se mata. A bailarina que ganhou o papel principal, também se mata.
A personagem de Natalie Portman, tem uma mãe bruxa, maligna. Uma mãe que não realizou o desejo de ser bailarina ou que realizou e não foi o suficiente. O ballet, parece ser um tipo de dança na qual as transmissões psíquicas entre mãe e filha ocorrem.
O filme trouxe a tona o dark continente. A mulher e o que ela não diz. Como pode uma menina se tornar mulher sem confrontar e encarar sua relação com a mãe? Como o ballet tras a tona esse vínculo tão especial e muitas vezes mortífero.
A mulher e sua falta. Quando se torna mãe, vive na ilusão de ser preenchida por um bebê falo. A personagem era o falo da mãe. Neste lugar, o desfecho foi uma série de sintomas como auto-flagelação, vômitos e alucinações com caráter paranóico.
Como podemos analisar o filme? Do ponto de vista da transmissão psíquica no ballet? Sob o olhar do feminino?
E a perfeição que o ballet tanto almeja? No final, ela diz: "agora está perfeito". Quando morre está perfeito? Instinto de auto-destruição que o ballet invoca?
E o gozo? Que gozo é esse? Que lugar no mundo cada personagem se encontra? Como ser um cisne negro que é aquele que causa o desejo do outro? Como causar?
Longe de fechar questão, o filme abre para outras tantas, mas, deixa sua marca: A PERTURBAÇÃO.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Popular- "ser ou não ser".
Tema atual e insistente entre jovens e crianças. Todos querem ser popular. O que significa isso? O que entendem por popularidade? Quem é? Quem não é? Quais as consequências de ser ou não ser?
Seria diferente colocar a questão como ter popularidade ou não ter? Me parece que a questão imposta no que diz respeito a popular, se refere a questão do ser. Ontologicamente. Quase como qual é o seu signo? Qual é o seu gênero sexual?
O ser humano se reduz ao ser. O ser, marca algo de imutável. Quando falamos sou assim, sou sou, sou, sou, não abrimos outras possibilidades de sair de uma lógica dualista, sem dialéticas.
Quando pensamos em popular, pensamos: do povo. Pensamos em um caráter que marca uma pessoa. Uma pessoa simpática, que tem muitos amigos, que é conhecida por todos.
Que será isso que se impõe nos contextos escolares que os alunos agarram com unhas e dentes? Que tradução possível para este fenômeno?
Será que se trata de uma forma de defesa da exclusão, do não laço social? Uma resposta radical para tentar dar conta de um saber que não sabe? Um signo do feminino? A garota popular.
A garota popular é de todos? Um lugar objetal? A menina se coloca ativamente neste lugar?
Seria então uma fantasia na qual a menina mulher supõe ao menino? Seria ela desejada pelo fato de ser popular?
Triste então das que não forem...
Então, surge a questão: O que fazer para ser? É tão simples a resposta. Basta deixar de ser o que, de fato, se é. Basta perder a identidade que ainda se esconde. Em nome de quê? Não sabemos.
Este tema, merece ser aprofundado já que nos parece tão "raso", "ridículo", "menos importante". Afinal, é o que se aprende na escola.
Seria diferente colocar a questão como ter popularidade ou não ter? Me parece que a questão imposta no que diz respeito a popular, se refere a questão do ser. Ontologicamente. Quase como qual é o seu signo? Qual é o seu gênero sexual?
O ser humano se reduz ao ser. O ser, marca algo de imutável. Quando falamos sou assim, sou sou, sou, sou, não abrimos outras possibilidades de sair de uma lógica dualista, sem dialéticas.
Quando pensamos em popular, pensamos: do povo. Pensamos em um caráter que marca uma pessoa. Uma pessoa simpática, que tem muitos amigos, que é conhecida por todos.
Que será isso que se impõe nos contextos escolares que os alunos agarram com unhas e dentes? Que tradução possível para este fenômeno?
Será que se trata de uma forma de defesa da exclusão, do não laço social? Uma resposta radical para tentar dar conta de um saber que não sabe? Um signo do feminino? A garota popular.
A garota popular é de todos? Um lugar objetal? A menina se coloca ativamente neste lugar?
Seria então uma fantasia na qual a menina mulher supõe ao menino? Seria ela desejada pelo fato de ser popular?
Triste então das que não forem...
Então, surge a questão: O que fazer para ser? É tão simples a resposta. Basta deixar de ser o que, de fato, se é. Basta perder a identidade que ainda se esconde. Em nome de quê? Não sabemos.
Este tema, merece ser aprofundado já que nos parece tão "raso", "ridículo", "menos importante". Afinal, é o que se aprende na escola.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Dieta Mediterrânea- o que nos alimenta?
O filme tenta dar ares de Almodovár, os atores deixam a desejar.
Porém, toca o sujeito. A fantasia feminina alimenta o telespectador. Homens e mulheres terão opiniões e sensações contraditórias.
O filme dá fome. Fome de...
Cada um tem a sua.
Vale a pena refletir - Temos fome de quê?
Ou, traduzindo, o que nos causa? O que nos faz desejar?
Que oralidade é essa que os humanos têem? Ninguém pode perder?
Como seria ter tudo? Ou melhor, a ilusão de ter tudo?
Porém, toca o sujeito. A fantasia feminina alimenta o telespectador. Homens e mulheres terão opiniões e sensações contraditórias.
O filme dá fome. Fome de...
Cada um tem a sua.
Vale a pena refletir - Temos fome de quê?
Ou, traduzindo, o que nos causa? O que nos faz desejar?
Que oralidade é essa que os humanos têem? Ninguém pode perder?
Como seria ter tudo? Ou melhor, a ilusão de ter tudo?
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Tetro, o filme do sintoma.
Tetro ou tétrico é o filme. Enredo brilhante. Pontual na idéia da criança como sintoma da família, denunciando a verdade dos pais.
Questões sobre o que pode ser transmitido entre gerações aparecem de maneira clara.
O que pode ser transmitido? Mais especificamente quando uma família guarda um segredo. Algo velado que gera sintomas. Um homem que só pode se tornar pai a partir do momento da morte do pai.
O filme trata de questões psicanalíticas no âmbito dos sintomas infantis e no conceito de loucura proposto por Lacan. Além disso, Tetro, ilustra a falta da função paterna e a consequência automática da paralisação de um sujeito, da sua morte em vida. Um sujeito tétrico, tomado por uma angústia profunda, vendo a vida passar.
Coppolla é magnífico...
Questões sobre o que pode ser transmitido entre gerações aparecem de maneira clara.
O que pode ser transmitido? Mais especificamente quando uma família guarda um segredo. Algo velado que gera sintomas. Um homem que só pode se tornar pai a partir do momento da morte do pai.
O filme trata de questões psicanalíticas no âmbito dos sintomas infantis e no conceito de loucura proposto por Lacan. Além disso, Tetro, ilustra a falta da função paterna e a consequência automática da paralisação de um sujeito, da sua morte em vida. Um sujeito tétrico, tomado por uma angústia profunda, vendo a vida passar.
Coppolla é magnífico...
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Provocação sobre o tratamento psiquiátrico
A provocação que coloco é a seguinte:
Como é possível tratar um paciente que adoece e que localiza o momento inicial de sua doença associado por exemplo com a perda de alguém significativo? Em entrevistas iniciais, perguntei ao paciente quando começaram seus sintomas. Seus sintomas eram: pressão alta, sensação de infarto, coração disparado, calor que queimava o corpo, sensação de morte ou como a psiquiatria chamaria: pânico).
Ele respondeu: "Quando perdi minha mãe. Eu vi suas mãos caídas no chão e depois o corpo. Nesta hora, tudo começou".
Como tratar então sua "doença"? Porque medicar-lhe se o que este paciente revela é um saber. Ele associa e localiza assertivamente o início de sua angústia. Ele diz claramente que a angústia se vincula ao momento da perda do ente querido. O que isso quer dizer? Que lugar o morto tinha para o paciente? O que foi que ele perdeu? Como era sua relação com ele?
Pedi então que o paciente falasse sobre o ente. Ele avança em seu saber inconsciente: "Eu senti culpa pois achava que se eu tivesse chegado antes, isto não teria ocorrido. Se eu impedisse que ele trabalhasse menos, ele não teria infarto". Intervi dizendo: "Infarto?".
Pois bem, a sensação de infarto que este paciente tinha em suas crises de pânico não traríam questões para quem trabalha com este paciente? Porque infarto?
A provocação que pretendo e desejo é que tratar o luto com medicações é uma forma justamente de não tratar. Está explícito que o paciente nos traz de "bandeja" que seus males estão diretamente ligados a algo que não sabemos muito bem o que, mas alguma coisa ligada ao parente e ao lugar que o paciente tinha também para o ente. Pois ele perdeu também este lugar.
Para finalizar a provocação, que não se encerra aqui, relato algo mais preciso que óbvio, veio da fala do paciente: "Quem eu perdi, falhou muito comigo. Mas, na hora que eu ficava doente, ele sempre estava lá. Era só ele que sabia o que eu tinha. Ele resolvia tudo e realmente cuidava de mim. E eu, quando me sinto mal, com aquele calor, aquela sensação de infarto, vou ao hospital e só me acalmo quando o médico diz que não tenho nada". "Eu até sei que não tenho nada, mas preciso que o médico me diga".
Não irei concluir justamente para deixar em aberto, mas, me parece que no hospital e adoecendo, é uma forma de não lidar com a dor de perder alguém e continuar apesar de...
Os sintomas aparecem para tamponar a falta do outro. Dando remédios, até podemos "remover" alguns sintomas. Porém, e o buraco? Como o paciente poderá se defender do buraco, da falta? Esta, não se "remove". A falta, demanda ser resignificada, elaborada. Como dizia Freud em "Recordar, repetir e elaborar", o que não é elaborado, se repete. Até que...
Como é possível tratar um paciente que adoece e que localiza o momento inicial de sua doença associado por exemplo com a perda de alguém significativo? Em entrevistas iniciais, perguntei ao paciente quando começaram seus sintomas. Seus sintomas eram: pressão alta, sensação de infarto, coração disparado, calor que queimava o corpo, sensação de morte ou como a psiquiatria chamaria: pânico).
Ele respondeu: "Quando perdi minha mãe. Eu vi suas mãos caídas no chão e depois o corpo. Nesta hora, tudo começou".
Como tratar então sua "doença"? Porque medicar-lhe se o que este paciente revela é um saber. Ele associa e localiza assertivamente o início de sua angústia. Ele diz claramente que a angústia se vincula ao momento da perda do ente querido. O que isso quer dizer? Que lugar o morto tinha para o paciente? O que foi que ele perdeu? Como era sua relação com ele?
Pedi então que o paciente falasse sobre o ente. Ele avança em seu saber inconsciente: "Eu senti culpa pois achava que se eu tivesse chegado antes, isto não teria ocorrido. Se eu impedisse que ele trabalhasse menos, ele não teria infarto". Intervi dizendo: "Infarto?".
Pois bem, a sensação de infarto que este paciente tinha em suas crises de pânico não traríam questões para quem trabalha com este paciente? Porque infarto?
A provocação que pretendo e desejo é que tratar o luto com medicações é uma forma justamente de não tratar. Está explícito que o paciente nos traz de "bandeja" que seus males estão diretamente ligados a algo que não sabemos muito bem o que, mas alguma coisa ligada ao parente e ao lugar que o paciente tinha também para o ente. Pois ele perdeu também este lugar.
Para finalizar a provocação, que não se encerra aqui, relato algo mais preciso que óbvio, veio da fala do paciente: "Quem eu perdi, falhou muito comigo. Mas, na hora que eu ficava doente, ele sempre estava lá. Era só ele que sabia o que eu tinha. Ele resolvia tudo e realmente cuidava de mim. E eu, quando me sinto mal, com aquele calor, aquela sensação de infarto, vou ao hospital e só me acalmo quando o médico diz que não tenho nada". "Eu até sei que não tenho nada, mas preciso que o médico me diga".
Não irei concluir justamente para deixar em aberto, mas, me parece que no hospital e adoecendo, é uma forma de não lidar com a dor de perder alguém e continuar apesar de...
Os sintomas aparecem para tamponar a falta do outro. Dando remédios, até podemos "remover" alguns sintomas. Porém, e o buraco? Como o paciente poderá se defender do buraco, da falta? Esta, não se "remove". A falta, demanda ser resignificada, elaborada. Como dizia Freud em "Recordar, repetir e elaborar", o que não é elaborado, se repete. Até que...
domingo, 5 de dezembro de 2010
O que os psicanalistas não dizem!
O que será?
O psicanalista enfatiza a questão do não dito, tenta ajudar o paciente a traduzir algo inconsciente, reflete sobre o feminino em psicanálise, coloca que o gozo feminino é de uma ordem do impossível de se dizer e o que ele faz com tudo isso?
O que o analista não diz? Ele se preocupa tanto com a direção do tratamento, com identificar qual foi a intervenção x que causou, com a escrita, com qual o lugar que o cliente o coloca, com, com, com...
Mas, e com o seu não dito? Se partirmos de uma lógica que coloca o lugar de um analista mais próximo do feminino, como cuidar daquele que se propõe a se colocar ativamente no lugar de resto, objeto, causa. Aquele que causa o desejo.
Aquele que é um nada, o que tem a dizer? O que os psicanalistas não dizem?
O psicanalista enfatiza a questão do não dito, tenta ajudar o paciente a traduzir algo inconsciente, reflete sobre o feminino em psicanálise, coloca que o gozo feminino é de uma ordem do impossível de se dizer e o que ele faz com tudo isso?
O que o analista não diz? Ele se preocupa tanto com a direção do tratamento, com identificar qual foi a intervenção x que causou, com a escrita, com qual o lugar que o cliente o coloca, com, com, com...
Mas, e com o seu não dito? Se partirmos de uma lógica que coloca o lugar de um analista mais próximo do feminino, como cuidar daquele que se propõe a se colocar ativamente no lugar de resto, objeto, causa. Aquele que causa o desejo.
Aquele que é um nada, o que tem a dizer? O que os psicanalistas não dizem?
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
E por falar em amor...
A dança me deu amor.
Me deu tudo o que precisava, necessitava e desejava na adolescência.
Me deu estrutura, preenchimento fálico...
Funcionou como uma medida fálica.
"AMAR É DAR O QUE NÃO SE TEM"
(J. Lacan sem XX).
Pela lógica da citação, amar é dar a falta. O que não temos, é o que nos falta.
Se afirmo que a dança me deu amor, ela me curou e me propiciou desejar. Só desejamos quando algo nos falta.
O que quer dizer a dança me deu amor? Ela funcionou como a Outra, uma alteridade. A função paterna do desejo da mãe.
Porque a dança?
Não sei.
Me deu tudo o que precisava, necessitava e desejava na adolescência.
Me deu estrutura, preenchimento fálico...
Funcionou como uma medida fálica.
"AMAR É DAR O QUE NÃO SE TEM"
(J. Lacan sem XX).
Pela lógica da citação, amar é dar a falta. O que não temos, é o que nos falta.
Se afirmo que a dança me deu amor, ela me curou e me propiciou desejar. Só desejamos quando algo nos falta.
O que quer dizer a dança me deu amor? Ela funcionou como a Outra, uma alteridade. A função paterna do desejo da mãe.
Porque a dança?
Não sei.
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