quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Término do blog

Pessoal,
com muito carinho informo que o este blog será desativado.
Como tudo na vida acaba, este blog perdeu sua função.

Caso queiram entrar em contato, podem mandar email para: lizgv@uol.com.br

Abraços saudosos....

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Castração e saúde psíquica


 A mãe é uma mulher. Ela volta-se para o filho ou não. A criança vai crescendo e se dando conta de que a mãe pode desejar outras coisas além dela. Surgem questões: “O que o outro quer de mim? O que ela deseja?”. Claro, se ela deseja outras coisas além de mim, o que ela deseja? O que ela quer de mim? O que tenho que fazer para ser desejado?

Momento de angústia pois a criança descobre que não é tudo para a mamãe! Surge o FALO! O falo é o que uma mãe demanda. Ele pode nomear o enigma de seu desejo. Por isso, difere do pênis. Porque falar de falo em relação à constatação do desejo materno estar alhures? Pois o falo é o símbolo da pura diferença. É o que falta á mulher, o que media a separação psíquica entre uma mãe e um filho. O falo é algo que pode garantir a saúde psíquica da criança. Se o filho não está no lugar de falo para a mãe, ele está salvo!

No instante da descoberta de que a mãe volta seu desejo para outro lugar, temos o primeiro tempo da castração. O filho descobre a castração na mãe e desloca a afetividade para o pai ou alguém outro ou outra coisa.

“A castração, longe de se reduzir ao temor de uma mutilação anatômica, é efetiva no momento em que o sujeito constata que o desejo materno se orienta alhures, em direção a alguma coisa ou com mais frequência a alguém, a um Nome-do-pai que permite situar o mistério do falo” Pommier, G

A transmissão neste post é a seguinte: a castração assegura a saúde psíquica.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Circuito mãe-filha: falhas de simbolização e bipolaridade

Em um dia de adolescência, uma filha entendeu:  "Sou o braço direito de minha mãe. Sou aquela que vai evitar que algum mal aconte a ela". Muito tempo se passou. Essa filha teve dois filhos, se casou, se separou, perdeu a mãe. Perdeu o lugar de onipotência, de ser aquela que protegeria a mãe de algum mal. Que lugar lhe restou?
Então, ela construiu: "Sou um lixo, um nada. Me encontro na insatisfação".
Da alternância de ser tudo, passou ao ser nada.
Freud, observando seu neto brincando com um carretel em uma idade remota (8 meses) percebeu que o infan tentava elaborar na brincadeira o jogo dialético da presença e ausência do outro. Se minha mãe vai, sou um nada. Se volta, sou tudo para ela. A dialética está em poder simbolizar este jogo de presença e ausência.
Ser o braço da mãe, ser uma parte do corpo do outro diz respeito à onipotência, à ser o falo, objeto de desejo do outro. Diz respeito ao não desejar. Se a mãe morre, a filha morre junto já que era uma parte do corpo desta mãe. Não simbolizou, não incorporou a presença para que a ausência física não significasse um vazio existencial da ordem do insuportável.
Aonde ela é um nada, um lixo é um lugar no qual nada se perde já que tudo já está perdido. Em um jogo, algo se perde e algo se ganha. Para poder ganhar, há que poder perder.
Nossas histórias são marcadas pela nossa vivência do desamparo fundamental. Vivências de angústia nas quais se o outro vai, sou um nada e se volta sou tudo.
O que o outro quer de mim?
O que deseja o outro?
Perguntas que todos nos deparamos para um dia, quem sabe, indagar: "Que desejo?".

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O valor da angústia


A angústia tem um objeto!

O movimento angustiante produz sintomas, inibições.

A pulsão de morte pode levar ao zero de angústia, de inibição e de sintoma. Ou seja, pode de fato levar o nirvana, ao nada de tensão. Esse nada de tensão, é a morte.

A pulsão de vida, é o amor, a possibilidade de construções. Porém, é necessária a pulsão de morte que produz uma espécie de agressão positiva em direção à vida.

Conclusão, a angústia pode impulsionar um sujeito à vida. Não há sujeito em vida que não se angustie.

Tratemos com carinho dela e ela vai nos impulsionar.
Tratar, olhar, falar, localizar o momento em que ela vem.

Ela vai ganhando forma, cor, textura, movimento e com isso, vai ficando menos assustadora.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O gozo nosso de cada dia!



 
"O inconsciente, não é que o ser pense...o inconsciente é que o ser, falando, goze e, acrescento, não queira saber de mais nada...Não há desejo de saber...aí está o sentido do inconsciente- não só que o homem já sabe tudo que tem que saber, mas que esse saber é perfeitamente limitado a esse gozo insuficiente que constitui que ele fale”. Sem. XX.
Cada um goza como pode!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Algumas considerações: Para além do ter um filho, o constante tornar-se mulher


Uma condição para a feminilidade é a diferenciação sexual. Para saber da castração, a menina, prestes a iniciar seu processo do tornar-se mulher, encontra-se na dialética do ter ou não ter o falo!
Ela o tem a título de ausência, logo, a maneira que o possui é simbólica. A partir daí, qual será a saída para a questão: O que quer UMA mulher? Um filho? Filho-falo. A maternidade? Ser mãe responderá ao enigma da feminilidade? Para muitas mulheres, o abandono de si, o fechamento para uma experiência associada a um gozo outro pode estar ligada ao novo papel: ser mãe.

Ser mãe é ter. Ter um filho. As mães têm! As mulheres, também têm o falo que pode ser o trabalho, o parceiro, bolsas, sapatos. Porem não todas vivenciam um gozo além do ter. Um gozo que escapa às palavras e à lógica capitalista.

Um outro Gozo; pode ser uma experiência mística, uma dança, um envolver-se com um quadro, um choro após uma leitura de uma bela poesia, um orgasmo múltiplo, um arrepio...

A feminilidade, longe de estar associada à maternidade, está em algum outro lugar. Um lugar que escapa ao olhar. Um lugar que envolve alguma presença não vista. Um lugar a ser tecido como uma artesã que tece seu tear.

O feminino não está dado, não está pronto. Trata-se de uma construção do uma a uma. Claro que o início desta viagem é o falo, aquele que regula a relação entre um homem e uma mulher. Porém, sem comparação. Um outro discurso.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Habemus Papam- Consequências de uma certa transmissão psicanalítica



Filme em cartaz de Nanni Moretti.
Para além do roteiro, a reflexão que proponho é sobre a sustentação de um semblante. O que a psicanálise pode oferecer a um sujeito que durante anos atua? No filme, longe de um tratamento convencional psicanalítico, ocorre o que poderíamos denominar de possibilidades de transmissão da psicanálise fora de um setting analítico e de um tratamento propriamente dito. Há algo de uma captação do sujeito que se aproxima de um saber analítico. 
O personagem de Michel Piccoli nos permite questionar como o ser humano é capaz de sustentar um semblante por anos. O papa é nada mais nada menos que aquele que se comunica com Deus. Para os sem questões, um semblante pode se manter e consistir. Porém, o personagem nos revela sobre a impossibilidade de ocupar esse lugar tão poderoso. A psicanálise entra no filme como um agente limitador por um lado e libertador por outro. O limite alivia.
Com dificuldades e dramas, o eleito a ser papa consegue falar. Falar justamente que o semblant caiu. Ele expressa seu limite. Marca a diferença entre ser ator e atuar na vida. A queda do semblant pode ser um dos efeitos de uma análise. Um sujeito não sai ileso de um processo analítico. Ele pode até continuar com seu sintoma, mas se responsabilizará como pode por ele.
A psicanálise como área do saber, entra no filme, ou seja, na cultura e oferece algo ao sujeito. A possibilidade de ser mais ético com o desejo. O sujeito que atua, pode estar desprovido de saber de si. Pode não saber do seu próprio desejo. Ele deixa de ser genuíno. A psicanálise toca o singular de cada um, o que cada um tem de único! Não dá para sair ileso deste fato.
















terça-feira, 20 de março de 2012

Pina Bausch e o estádio do espelho


O eu é corporal! Freud já dizia...

A psicanálise lacaniana se interessa pela divisão do sujeito. Não um sujeito dividido entre corpo e mente, entre psíquico e somático. A divisão que interessa é a divisão do sujeito que não sabe o que diz. A partir do momento do nascimento do sujeito, ou seja, quando ele deixa sua posição infan e passa para um lugar falante, nasce também sua divisão.

Ele é dividido pelo significante. Este marca seu corpo e seu lugar no mundo. Ele fala. Como habitará a linguagem se dará a posteriori. O que interessa é a passagem de um ser que ainda não fala para um sujeito faltante, falante.

O que importa nesta possibilidade é o espelho, o eu, o corpo, o outro e o Outro. Que necessita para falar? Para faltar? Porque o bebê não nasce falando, andando, pensando? Um corpo infan é um corpo concreto, ausente de representação, sem marcas, sem palavras. Um corpo desamparado pela insuficiência orgânica. Imaturo neurologicamente.

A questão que coloco é a seguinte: Que acontece que alguns infans não se jubilam diante de sua imagem quando o tempo cronológico já lhes permitiríam se reconhecer? É a falta do outro? Do Outro? É o corpo biológico que veio com “defeito”? É a relação com o outro?

Tampouco se trata de responder com sim ou com não. Talvez trata-se de refletir que o sujeito aprisionado em seu corpo, em seus significantes, regido pelo seu inconsciente, pode fazer algumas pequenas escolhas. Pode recusar o contato com o outro. Isso é uma forma de contato!

Onde está a dinâmica libidinal de um bebê que não se entretém com sua imagem? Sua carência é de libido! Quem pode dar o que ele não tem? Quem pode dar libido? É possível uma prótese libidinal?

O filme em 3D de Pina Bausch nos revela o que um outro pode dar e assim constituir um sujeito dançante!

Seu trabalho estonteante e magnífico nos ilumina! Esta mulher, dava, oferecia, ofertava palavras aos bailarinos. Estas marcavam seus passos, corpos, movimentos, suas vidas. Os corpos dos bailarinos pulsavam, transbordavam de energia sexual, ou seja, de dinamismo libidinal!

A transferência com Pina e sua oferta de palavras justas no momento certo, o corpo erotizado por essas palavras, tudo isso, contribuía para a explosão de talento de seu trabalho. Uma das bailarinas dizia: “Trabalhar com Pina era muito bom pois podíamos expressar todos os nossos sentimentos”; Outra dizia: “Não entendia porque ela nunca parava de trabalhar”; Outro apontava: “Ela nos perguntava sobre nossos desejos”.
Pina marcava os bailarinos e bailarinas com a força de sua presença que se faz mesmo após sua morte.
Inspirada no texto do estádio do espelho de Lacan, causada por Pina Bausch escrevo este texto refletindo sobre a importância da inscrição da palavra no corpo. A constituição psíquica, a constituição do corpo envolve o amor, o que se pode dar ao outro. Podemos dar palavras justas ou não. Podemos desestabilizar o outro ou não.

Os bailarinos diziam que Pina desvendava suas almas com seu olhar atento e particularizado para cada um. Isso é função materna! O mundo está tão carente disso!







 















sábado, 3 de março de 2012

Folie à deux X loucura materna




O conceito de loucura é amplo. Partiremos da idéia de que a loucura é produzida em rede. Dois sujeitos adoecem. O encontro dos dois produz a loucura. TODA LOUCURA É RELACIONAL E VIVIDA NA RELAÇÃO COM O OUTRO!

Alguns casos que apresentam um semblant de histeria com melancolia, podem se tratar de casos de folie à deux.
 São casos de loucura produzida na relação mãe-filha. A filha, geralmente no lugar de ser empregada do gozo do Outro. A mãe, emprega a filha.
Diferente da loucura materna na qual a mãe se emprega nas questões do filho.
São casos difíceis de tratar. Os psicanalistas muitas vezes idealizam e almejam que a´"saúde" psíquica tem haver com a separação da mãe. Justamente aí, que os casos de folie se tornam complicados pois se separar da mãe pode levar à morte física.
A condição de separação exige um ato. Se separar do desejo da mãe que se separou do desejo da avó.
AVÓ-FILHA-NETA.

Porque se separar da mãe? Eis o caminho para a feminilidade. O desejo da mãe é invasivo por natureza.
Os casos de folie à deux revelam a perturbação da relação especular com o outro. A paranóia. O sujeito desaparece como uma saída para se separar de uma relação tão invasiva vivida com a mãe.

A mensagem que deixo sobre esses casos é acolher e tratar a mãe. Não é tratar o par ou a família, mas a mãe, escutar as questões que se apresentam coladas. O que vem colado não é singular. O feminino é singular. Nesse sentido, o feminino é a tentativa de dar forma, borda ao vazio. É a possibilidade de tornar-se mulher e viver um outro gozo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Ética, onde se encontra?

“Os imperativos da moda, do consumo, do utilitarismo e do capital não deixam lugar para o ínfimo, o desútil, o íntimo, o desver, o falho, a falta, a fala. Tudo isso é, no entanto, o verdadeiro capital para o sujeito: a expressão de sua singularidade e de seus nadas” Antonio Quinet
 

Este pequeno grande trecho, abre reflexões para muitas questões: Contemporaneidade, política, arte, sujeito do inconsciente, ética, busca de soluções, discurso, feminino em psicanálise. A problemática está exposta claramente. Este autor, com seu saber analítico traduz  explicitamente a subversão que o discurso analítico faz. Ou seja, o discurso da psicanálise, subverte o discurso corrente ou como podemos denominar, o discurso do mestre. O discurso mestre que aliena, que causa sintomas, sofrimentos, mas que estamos inseridos.
Quais  saídas para um século marcado pela homogeinização dos seres? A saída deve ser construída, tecida no um a um. A arte revela a singularidade do ser. A psicanálise, idem. Ambas são anticapitalistas em sua política do sintoma. Há uma política do sintoma.

Há seres alienados, sujeitos desejantes, seres/sujeitos femininos, sujeitos faltantes, fálicos...
Há uma infindável finitude de humanos que se posicionam na vida sempre em relação ao falo, à linguagem.
Há pessoas que não sustentam seus desejos.
Há pessoas com ausencia de si, de faltas.
Isso, sempre houve.

Estamos em um mundo de equívocos.
Antígona perguntaria: Estão sendo éticos com suas singularidades? Ou passam a vida alienados reproduzindo o discurso capitalista? Como cavar um espaço para redescobrir, descobrir, tecer o singular do sujeito?

Se propondo a pagar o preço do desejo. 
 Custa caro.
Arte e psicanálise, infinitas possibilidades...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Da depressão á castração

O conceito de castração em psicanálise é amplo. Escolho pensá-lo pela via dos limites.
O sujeito ou o ser deprimido vivencia uma espécie de mal estar existencial do tipo:"Sou um nada"; "Não consigo...."; "Sou um lixo"; "Não mereço"..."Sou um fracasso".
Um tratamento analítico propõe limitar, dar borda, marcar o que o sujeito não consegue, aonde fracassa. Isso se traduz por dar limite. Poder saber das faltas e o que fazer com elas. Poder rir de si mesmo, levar a vida mais leve é o que a análise oferece, de fato, aos seres.
Porém, não sem custo. A ajuda de um psicanalista se faz tecendo as possibilidades do analisante de responsabilização pela ética singular do seu desejo.
A depressão, muitas vezes, é uma saída "" acovardada"perante o desejo inconsciente.
Trate com carinho o que queres. Sabes o que deseja? Quer o que deseja?

sábado, 21 de janeiro de 2012

Discursos

O fundador da psicanálise afirma em suas transmissões acerca do sintoma, da angústia e da inibição,que esta última, se relaciona com a função. Função sexual, alimentar, locomover, trabalhar...
"A inibição é a expressão de uma restrição de uma função do ego".
Um sujeito engolido pela angústia, pode apresentar inibições, sintomas, ansiedades...
A questão que se coloca é que o que angustia um sujeito, pode não angustiar outro. Logo, o óbvio: somos seres singulares, com histórias de vida, marcar no corpo, traumas.
O discurso científico nos ilude, nos aliena. Homogeiniza os seres de tal forma que provoca a perda de singularidade. Não se trata de individualismo e sim do que cada humano tem de mais peculiar, de seu.
Esse discurso, rouba, tira, arranca a responsabilidade de um sujeito pelas suas escolhas. Produz um ser bobo, débil, deficiente.
O discurso psicanalítico propõe uma saída para a pasteurização do homem, para os novos antigos sintomas, e inclusive, para as inibições.
Uma análise nos oferece também a possibilidade de produzir outros discursos. Discursos esses, que se implicam com a ética,com o desejo e com a responsabilidade sobre nosso próprio corpo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Qual é sua pergunta?

O caso Dora é o caso que causa. Dentre vários aspectos, ele nos revela clinicamente os efeitos de um sintoma e partindo do casa a caso, o que significa esta palavra.
A afonia de Dora denuncia uma questão que acompanha a analisante durante toda sua vida e sua conduta. Portanto, o sintoma, é uma pergunta. Mas qual?
O que o caso nos transmite, é que, o sintoma histérico é uma expressão. Expressão do enigma de Dora. O enigma sobre sua feminilidade. Esse enigma, tem um formato de questão.
Partindo da idéia de que o sintoma é uma pergunta, qual é sua questão?