Como deve ser difícil para um residente de psiquiatria atender pacientes soma. A dificuldade localiza-se tanto em manejar a transferência como em poder questionar esses casos, característicos, de que a medicação não é tão importante. São pessoas que já passaram por várias especialidades médicas e por último, são enquadrados como pacientes com transtorno somatoformes.
O residente, quer aprender a medicar, dosagens corretas, discussões sobre medicações...
Que angústia então sair do script não é?
Uma pequena provocação para poder pelo menos vislumbrar um estado menos alienado dentro de uma área do saber.
Que questões poderíam surgir, caso pudessem se distanciar um pouco do saber médico e olhar para o fato de que a pessoa que converte, paralisa, entorta, finge, é uma pessoa em alto grau de sofrimento por necessitar de seus sintomas para viver e gozar.
É assim que estes sujeitos gozam e conseguem estar no mundo.
Como tratá-los então? O que um residente pode apreender com esses casos?
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Dançar
Ao obsevarmos aquele que dança, o que vemos? Um corpo que executa movimentos dentro de um determinado espaço, com determinada marcação de tempo. Se dança uma história, com movimentos leves, intensos, acrobacias, giros, isso é poesia.
Chamo a atenção para o fenômeno simplesmente de dançar.
Reflito que o corpo, condição principal de nos propiciar gozo, vida, se coloca em um espaço. No espaço, tem-se limite. Justamente por estarmos em um espaço, temos a condição de nos movimentarmos em nossos eixou ou ocupá-lo até a parede, o fim da sala, o término da praia, o tamanho do palco, da pista de dança...
Parece que na psicose, a parede até pode existir, mas o saber de que o corpo não é a parede, talvez não.
Estamos na área do conhecimento paranóico não é?
Seria somente na loucura essa indiferenciação entre o eu e o outro? o corpo e a parede?
A psicose seria uma "passagem" para a aquisição de uma perversão e depois uma neurose?
Respondo que a questão estrutural para mim, não faz avançar o atendimento que posso oferecer. Pelo contrário, ecoa algo do gênero: televisão, computador, máquinas dessubjetivadas.
Podemos dançar o clássico, repetindo movimentos até a perfeição, dançar o contemporâneo mecanicamente obstinados com a estrutura crânio sacral, ou, quem sabe, dançar dança do ventre executando sequências de movimentos sem intenção.
Porém, o corpo que dança, goza. Se goza, tem superego.
Chamo a atenção para o fenômeno simplesmente de dançar.
Reflito que o corpo, condição principal de nos propiciar gozo, vida, se coloca em um espaço. No espaço, tem-se limite. Justamente por estarmos em um espaço, temos a condição de nos movimentarmos em nossos eixou ou ocupá-lo até a parede, o fim da sala, o término da praia, o tamanho do palco, da pista de dança...
Parece que na psicose, a parede até pode existir, mas o saber de que o corpo não é a parede, talvez não.
Estamos na área do conhecimento paranóico não é?
Seria somente na loucura essa indiferenciação entre o eu e o outro? o corpo e a parede?
A psicose seria uma "passagem" para a aquisição de uma perversão e depois uma neurose?
Respondo que a questão estrutural para mim, não faz avançar o atendimento que posso oferecer. Pelo contrário, ecoa algo do gênero: televisão, computador, máquinas dessubjetivadas.
Podemos dançar o clássico, repetindo movimentos até a perfeição, dançar o contemporâneo mecanicamente obstinados com a estrutura crânio sacral, ou, quem sabe, dançar dança do ventre executando sequências de movimentos sem intenção.
Porém, o corpo que dança, goza. Se goza, tem superego.
O erro do pai
O inventor da psicanálise eticamente, se questionou sobre o que não deu certo no caso Dora. A resposta que encontrou foi um erro sobre o objeto de desejo da analisante.
Isto é um fato. Diante deste, coloco que Freud de certa maneira atendeu a demanda do Sr K., seu conhecido e pessoa na qual ele nutria simpatia. Se interessou demais por imaginárias interpretações acerca do significado deste homem para Dora.
Afinal, o que Dora dizia? Em seus sonhos, sintomas, o que dizia?
Não seria o que se pode saber sobre a feminilidade? O que tem uma mulher para ser olhada e desejada por um homem?
O enrosco é que a outra, não sabe. Não tem a chave do mistério do feminino.
E aí? Como fica Dora? Como poderia ser tratada após o momento de constatação de que o outro, a outra não sabe?
Como se dá a articulação entre a histeria e o feminino?
Isto é um fato. Diante deste, coloco que Freud de certa maneira atendeu a demanda do Sr K., seu conhecido e pessoa na qual ele nutria simpatia. Se interessou demais por imaginárias interpretações acerca do significado deste homem para Dora.
Afinal, o que Dora dizia? Em seus sonhos, sintomas, o que dizia?
Não seria o que se pode saber sobre a feminilidade? O que tem uma mulher para ser olhada e desejada por um homem?
O enrosco é que a outra, não sabe. Não tem a chave do mistério do feminino.
E aí? Como fica Dora? Como poderia ser tratada após o momento de constatação de que o outro, a outra não sabe?
Como se dá a articulação entre a histeria e o feminino?
quinta-feira, 17 de junho de 2010
O caso Dora
Este caso nos coloca a pergunta da histeria. A questão acerca do sexo, sobre o feminino. Seu segundo sonho nos revela o quanto Dora se perguntava sobre a caixa, não era nem sobre a jóis e sim, sobre a caixa. A sra K., era aquela que possuía a chave do mistério da feminilidade.
Assim como o caso Dora e outros tantos que se enquadram sobre o signo da histeria, nos trazem aquela insatisfação, Freud ficou suficientemente insatisfeito com o término precoce do tratamento de Dora.
O autor, se colocando no lugar do mestre, com seus saberes sobre o outro, não conseguiu escutar Dora, ouví-la de fato. Confundiu objeto de amor com objeto de identificação. A senhora K. além de ser o objeto de interesse de Dora, era um além. Um além da imagem.
Portanto, a genialidade de Freud se mostra neste caso nos seguintes pontos: ele nos propicia refletir sobre o feminino, trazendo o saber de que na histeria a pergunta que se trata é: sou homem ou sou mulher? O que é ser mulher?
Também, nos permite trabalhar a questão da transferência e da castração do analista. O analista vai, escuta, até onde seu limite lhe permitir.
Um outro ponto que Freud nos provoca é na questão da tendência homossexual que ele postula em Dora. O que a histeria quer com a outra? Dora visava o pai, seu amor por ele. Na medida em que um certo senhor k., no lugar daquele que equilibrava o quarteto diz á Dora: "Minha mulher não é nada para mim", Dora conclui: Não sou nada para meu pai. Se o senhor K ama somente a mim, meu pai ama somente a senhora K., aquela que para mim, representa o mistério do feminino. Logo, passo a reinvidicar o amor de meu pai com total exclusividade. Dora é homossexual?
Assim como o caso Dora e outros tantos que se enquadram sobre o signo da histeria, nos trazem aquela insatisfação, Freud ficou suficientemente insatisfeito com o término precoce do tratamento de Dora.
O autor, se colocando no lugar do mestre, com seus saberes sobre o outro, não conseguiu escutar Dora, ouví-la de fato. Confundiu objeto de amor com objeto de identificação. A senhora K. além de ser o objeto de interesse de Dora, era um além. Um além da imagem.
Portanto, a genialidade de Freud se mostra neste caso nos seguintes pontos: ele nos propicia refletir sobre o feminino, trazendo o saber de que na histeria a pergunta que se trata é: sou homem ou sou mulher? O que é ser mulher?
Também, nos permite trabalhar a questão da transferência e da castração do analista. O analista vai, escuta, até onde seu limite lhe permitir.
Um outro ponto que Freud nos provoca é na questão da tendência homossexual que ele postula em Dora. O que a histeria quer com a outra? Dora visava o pai, seu amor por ele. Na medida em que um certo senhor k., no lugar daquele que equilibrava o quarteto diz á Dora: "Minha mulher não é nada para mim", Dora conclui: Não sou nada para meu pai. Se o senhor K ama somente a mim, meu pai ama somente a senhora K., aquela que para mim, representa o mistério do feminino. Logo, passo a reinvidicar o amor de meu pai com total exclusividade. Dora é homossexual?
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Mãe X mulher
Porque será que se confundem os papéis de mãe e mulher? Dizem: As mulheres são mães, trabalhadoras, esposas... tem muitos papéis.
Levanto a idéia de que mãe e mulher são posições diferentes. Freud, equiparou mãe e mulher. Com sua teoria, a menina se transforma em mulher quando abandona o desejo de ter um pênis em função do desejo de ter um filho. Ela toma o pai como seu objeto de maor e sua mãe se tornaria sua rival. O autor postula que neste momento a menina se tornaria mulher.
Coloco que a equação simbólica pênis-bebê, de fato, não torna a menina mulher. Ao contrário, a mulher se fixa em um ciclo fálico no qual o pênis equivale ao bebê e portanto, a mãe equivale á mulher.
A mulher, via de regra, sempre foi definida pela maternidade. Podemos pensar que a maternidade trás uma resposta para a questão da incerteza da identidade feminina.
O feminino, me parece, estar em outro lugar. Não se refere á lógica do ter ou não ter o falo, o bebê. É uma outra lógica que nos fornece a idéia do tornar-se. Um constante tornar-se que se desvia totalmente da anatomia.
Levanto a idéia de que mãe e mulher são posições diferentes. Freud, equiparou mãe e mulher. Com sua teoria, a menina se transforma em mulher quando abandona o desejo de ter um pênis em função do desejo de ter um filho. Ela toma o pai como seu objeto de maor e sua mãe se tornaria sua rival. O autor postula que neste momento a menina se tornaria mulher.
Coloco que a equação simbólica pênis-bebê, de fato, não torna a menina mulher. Ao contrário, a mulher se fixa em um ciclo fálico no qual o pênis equivale ao bebê e portanto, a mãe equivale á mulher.
A mulher, via de regra, sempre foi definida pela maternidade. Podemos pensar que a maternidade trás uma resposta para a questão da incerteza da identidade feminina.
O feminino, me parece, estar em outro lugar. Não se refere á lógica do ter ou não ter o falo, o bebê. É uma outra lógica que nos fornece a idéia do tornar-se. Um constante tornar-se que se desvia totalmente da anatomia.
domingo, 9 de maio de 2010
O absurdo do luto.
A partir da fala de uma pessoa que se encontra com a possibilidade de morte do pai, refleti sobre o absurdo do luto. Dentre várias palavras e um discurso, a pessoa disse: "Não há nada de bom em um luto".
Será que não? Essa pessoa se colocava como aquela que tudo organizava para uma família. Desde conflitos entre os familiares até bens materiais que lhe faltavam. Então, lhe disse que pode existir algo de bom neste luto.
Apreender que não sabemos da morte, da nossa, da do outro, pode ser interessante para contextualizar que a morte nos trás o mais radical do limite do ser humano. O não saber.
O absurdo do luto, pode ser colocado como a transmissão ética de que a falta existe. Não só existe, como também não tem como ser tamponada. Não há o que tape este buraco que a perda do outro nos causa.
O problema é que este buraco para alguns torna-se a pessoa toda. O buraco, é em algum lugar de si e não por inteiro.
E a vida, fica mais leve quando realmente sabemos que não sabemos.
Será que não? Essa pessoa se colocava como aquela que tudo organizava para uma família. Desde conflitos entre os familiares até bens materiais que lhe faltavam. Então, lhe disse que pode existir algo de bom neste luto.
Apreender que não sabemos da morte, da nossa, da do outro, pode ser interessante para contextualizar que a morte nos trás o mais radical do limite do ser humano. O não saber.
O absurdo do luto, pode ser colocado como a transmissão ética de que a falta existe. Não só existe, como também não tem como ser tamponada. Não há o que tape este buraco que a perda do outro nos causa.
O problema é que este buraco para alguns torna-se a pessoa toda. O buraco, é em algum lugar de si e não por inteiro.
E a vida, fica mais leve quando realmente sabemos que não sabemos.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Ainda sobre o diagnóstico estrutural...
Ainda sobre o diagnóstico estrutural, o que tenho para colocar é que:
1) Manejei a transferência de acordo com uma suposição de que o analisante estaria enquadrado em uma estrutura histérica. Foi uma catástrofe. Apontei a questão do desejo. Então, o sujeito começou a atuar e ficou 2 meses sem comparecer fisicamente à análise. Após alguns meses, percebi que o que se tratava não era simplesmente o desejo insatisfeito. Era o sujeito e sua alienação diria que total ao desejo do outro. A separação de um outro materno não estava nem estabelecida, nem vislumbrada.
2) Poderíamos pensar em uma psicose, mas o meu trabalho não foi nesta direção. Provoquei-o a falar do outro engolidor, abusivo. O sujeito foi se separando aos poucos de seu discurso e olhando seu lugar no mundo.
3) A conclusão que cheguei foi a seguinte: Enquanto me preocupei com o diagnóstico, perdi preciosidades do singular deste sujeito. De fato, não me dirigia na referência do analisante e sim a um modelo ortopédico e médico na posição de um saber que não diz, que não sabe.
1) Manejei a transferência de acordo com uma suposição de que o analisante estaria enquadrado em uma estrutura histérica. Foi uma catástrofe. Apontei a questão do desejo. Então, o sujeito começou a atuar e ficou 2 meses sem comparecer fisicamente à análise. Após alguns meses, percebi que o que se tratava não era simplesmente o desejo insatisfeito. Era o sujeito e sua alienação diria que total ao desejo do outro. A separação de um outro materno não estava nem estabelecida, nem vislumbrada.
2) Poderíamos pensar em uma psicose, mas o meu trabalho não foi nesta direção. Provoquei-o a falar do outro engolidor, abusivo. O sujeito foi se separando aos poucos de seu discurso e olhando seu lugar no mundo.
3) A conclusão que cheguei foi a seguinte: Enquanto me preocupei com o diagnóstico, perdi preciosidades do singular deste sujeito. De fato, não me dirigia na referência do analisante e sim a um modelo ortopédico e médico na posição de um saber que não diz, que não sabe.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Identidade feminina?
Será que já se perguntaram: sou homem ou sou mulher? Dois termos que definem através da linguagem uma "espécie" de identidade. Acontece que no discurso feminino algo escapa.
A mulher, apreende a feminilidade por uma máscara num constante tornar-se.
Essa máscara ou véu,revela um vazio. O que teria uma mulher para encobrir? Um corpo? Uma jóia? Uma fantasia? Um nada?
Sim, me parece que este nada que se refere a uma falta.A mulher se mascara para encobrir sua falta.
Suas jóias, maquiagens, lenços, roupas denotam a existência de uma falta de identidade feminina, de um não ao universal. A mulher quer ser única, particularizada, amada em seus maus humores, seus pijamas, suas rugas. Quer ser amada pelo seu singular.
Coloco que ela denuncia uma outra lógica. Uma lógica presa a linguagem mas além dela. Além de palavras e sentidos. A mulher trás o inominável, a dimensão socratiniana dos limites e verdades do inconsciente.
Sendo ela, não-toda submetida à lei, o sujeito feminino é um sujeito que se encontra dividido entre uma forma de estar no mundo ligada á linguagem, as regras e outra maneira que diz respeito ao que está fora do discurso. Algo escapa. Não há palavras que dêem conta de seu gozo.
Um sujeito que comporta uma lógica que não se refere ao ter ou não ter, tampouco ao ser ou não ser. Simplesmente outra.
A mulher, apreende a feminilidade por uma máscara num constante tornar-se.
Essa máscara ou véu,revela um vazio. O que teria uma mulher para encobrir? Um corpo? Uma jóia? Uma fantasia? Um nada?
Sim, me parece que este nada que se refere a uma falta.A mulher se mascara para encobrir sua falta.
Suas jóias, maquiagens, lenços, roupas denotam a existência de uma falta de identidade feminina, de um não ao universal. A mulher quer ser única, particularizada, amada em seus maus humores, seus pijamas, suas rugas. Quer ser amada pelo seu singular.
Coloco que ela denuncia uma outra lógica. Uma lógica presa a linguagem mas além dela. Além de palavras e sentidos. A mulher trás o inominável, a dimensão socratiniana dos limites e verdades do inconsciente.
Sendo ela, não-toda submetida à lei, o sujeito feminino é um sujeito que se encontra dividido entre uma forma de estar no mundo ligada á linguagem, as regras e outra maneira que diz respeito ao que está fora do discurso. Algo escapa. Não há palavras que dêem conta de seu gozo.
Um sujeito que comporta uma lógica que não se refere ao ter ou não ter, tampouco ao ser ou não ser. Simplesmente outra.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Diagnóstico estrutural e a astrologia
Se você é do signo da histeria, você precisa do outro para dividir sua dor. O seu outro será impotente, não dará conta de suas angústias. Você tem uma relação com o desejo que diz respeito a mantê-lo insatisfeito, ou seja, não realizá-lo.
Caso tenha sido marcado por uma neurose obssesiva, você vive na dúvida, realiza vários rituais, é interessadíssimo em limpeza e ordem, se sente inválido muitas vezes, lê sobre tudo e mais um pouco, de vez em quando sofre ataques de pânico, enfim, quer controlar tudo e sofre sozinho.
Caso viva sob a égide da perversão, adora ver o outro angustiado. Se nasceu sob o signo da psicose, você é frágil, delirante e pouco afetivo.
Bem, não sobram muitas opções para a escuta de um psicanalista em sua clínica.
Problematizo a questão do uso do diagnóstico diferencial por parte dos analistas. Muitas vezes, se não tomarmos cuidado, deixamos de ouvir o paciente, assim como os médicos fazem em nome de uma epistemologia positivista.
Cada caso, é um caso. O sujeito que procura a análise está em sofrimento e com certeza é ele quem pode dizer e se quiser, saber de si. Muitas vezes, olhá-lo como histérico ou seja que patologia for, fecha as possibilidades de uma escuta clínica mais profunda e efetiva.
Caso tenha sido marcado por uma neurose obssesiva, você vive na dúvida, realiza vários rituais, é interessadíssimo em limpeza e ordem, se sente inválido muitas vezes, lê sobre tudo e mais um pouco, de vez em quando sofre ataques de pânico, enfim, quer controlar tudo e sofre sozinho.
Caso viva sob a égide da perversão, adora ver o outro angustiado. Se nasceu sob o signo da psicose, você é frágil, delirante e pouco afetivo.
Bem, não sobram muitas opções para a escuta de um psicanalista em sua clínica.
Problematizo a questão do uso do diagnóstico diferencial por parte dos analistas. Muitas vezes, se não tomarmos cuidado, deixamos de ouvir o paciente, assim como os médicos fazem em nome de uma epistemologia positivista.
Cada caso, é um caso. O sujeito que procura a análise está em sofrimento e com certeza é ele quem pode dizer e se quiser, saber de si. Muitas vezes, olhá-lo como histérico ou seja que patologia for, fecha as possibilidades de uma escuta clínica mais profunda e efetiva.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Lacan e Descartes. Aonde está o sujeito?
"Penso, logo existo". O filósofo com esta afirmação pressupunha que o sujeito se dava via pensamento. Lacan quando trata da constituição do eu, desde nossos primórdios, afirma que o sujeito está aonde não pensa. O quer dizer?
Quando falamos sobre nossos pensamentos, aprendizagens, não estamos nos referindo ao não saber. O inconsciente, nos fornece um saber que não se sabe ou que já foi esquecido. Além disso, um saber que tem um limite. Não dá para saber tudo.
Nesse sentido, o sujeito da psicanálise é um sujeito que não sabe o que diz, que está justamente aonde não pensa. Está no sentimento, nas incongruências.
Quando falamos sobre nossos pensamentos, aprendizagens, não estamos nos referindo ao não saber. O inconsciente, nos fornece um saber que não se sabe ou que já foi esquecido. Além disso, um saber que tem um limite. Não dá para saber tudo.
Nesse sentido, o sujeito da psicanálise é um sujeito que não sabe o que diz, que está justamente aonde não pensa. Está no sentimento, nas incongruências.
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