quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Amor vampiro. Amor?

Quantos de nós estamos sujeitos a um amor do tipo vampiro? Uma forma de relação aonde o outro nos suga. O servo, se coloca á disposição para ser sugado, abusado até a última gota. Neste lugar, ele não deseja, não vê, não existe. É um lugar morto. O sujeito/objeto se coloca como morto em vida. Este lugar que podemos denominar de lugar objetal, é um lugar de inexistência.
Que faz com que o ser seja engolido por um monstro? Alguns, não têem a possibilidade de escolha. Outros, sim.
Esta relação trás sofrimentos desnecessários para o servo. A vida, já é sofrida. Porém, sofrer na morte do sujeito é uma falta de ética em relação ao desejo. É imperdoável. Como um sujeito/objeto quando se dá conta da relação que estabelece com o outro pode tomar uma decisão? Que tipo de decisão tem condição de tomar?
Perde tempo. A vida passa. Terás muito tempo para morrer.
O vampiro precisa de amor. Mas, um amor que dá limite, que separa. Um amor, que revela até onde vai o sugador e até onde vai o sugado. Com o limite, a relação muda. Não se trata mais de sujeito-objeto e sim de outra coisa.
Hegel, precisou majestosamente este tipo de relação. Há um gozo naquele que é sugado. Ele reconhece o sugador como seu senhor.O que suga, não goza, não reconhece.
Ambos estão doentes, mas, o sugado talvez tenha mais chances.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A perdição feminina

Por onde andas? Donde estão las mujeres?
Atualmente, aparece na clínica um fenômeno sintomático generalizado feminino: A falta de uma identidade. As mulheres, suas incompletudes, suas maneiras de preencher o vazio existencial e suas saídas para o ser mulher no século XXI são motivos de alto grau de sofrimento nos consultórios.
O que é ser mulher hoje? Até pouco tempo, a resposta era simples. Ser mulher, é ser mãe. E hoje? Dia 31/10/2011? Que é o feminino?
O feminino é algo a ser construído. Proponho um tornar-se mulher. Não é algo dado. Best sellers de auto ajuda podem dar uma idéia, mas, é impossível seguir a série de receitas dadas, prontas. Neles, encontram-se respostas para tudo. O problema é que o sintoma continua. Cada uma é uma.
As mulheres continuam sem saber o que fazer se o cara não ligou, se o cara ligou, se elas sabem ou não seduzir, se é o homem que não sabe olhá-las.
A mulher quer ser vista de determinada maneira. Cada uma é singular e quer ser olhada de determinada forma.
Qual forma tu queres ser vista? Mesmo as tímidas, envergonhadas querem aparecer de alguma maneira. Nem que seja pelo significante tímida.
A mulher quer ser desejada, amada, vista e reconhecida pois isso pode ser condição dela ser desejante. Para muitas, a possibilidade de desejar está atrelada a ser ou não ser desejadas.
Uma das muitas angústias das mulheres é a pergunta: O que o outro quer? O que o homem deseja? O que faço que o outro me deseja ou não. Consigo seduzir?
Aí jaz um grande sofrimento para muitas. O Não consigo. Se o outro não me quer, é porque eu não consigo. Ela cai depressão.
Uma análise, cai muito bem para o não consigo. A possibilidade de realmente saber o óbvio, que o outro é o outro, que não temos como dar conta do desejo do outro até porque nem sabemos do nosso, é a chave para a conclusão feminina: Não consigo.
A análise dá limite ao ser feminino. Ajuda a construir uma sensualidade. Para tal, não há best seller de auto ajuda que dê conta.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A psicanálise, uma questão de fé?

"A fé move montanhas"...
O que é essa tal de fé? Fazer uma análise é acreditar em algo? É uma questão de fé a psicanálise?
 Do que trata ela, a psicanálise? Do que trata a fé?
Da crença? Da verdade absoluta? Da cegueira? Do ópio do povo?
De que se trata quando acreditamos em algo?
Acreditamos, de fato, que a fé move montanhas? O que nos move? É a fé?

O que nos move, é uma questão de análise. Do um a um.
A fé move? Movimenta? Ou aprisiona? Fecha?

A pergunta que posto é: seria a psicanálise uma questão de fé? Ou se acredita ou não? Caso afirmativo, fé em quê?
O inconsciente não existe!!!!!!!!!
Caso seja uma questão de fé, poderíamos pensar na fé na transferência. Acreditamos que o outro tenha um saber, ainda que suposto. Não é uma fé sega.
Porém, o outro não sabe e?????

O outro deveria sim, saber o que lhe causa, lhe move.

Nesta época em que vivemos, não há um Outro que nos diz o que é certo ou errado, um Outro senhor da lei, do tesouro dos nossos significantes. A quem nos dirigimos? O sujeito que procura uma análise se dirige a quem?
 Fazer uma análise tem algo da ordem de uma crença. Não uma fé. Uma crença de que o analista tem algum saber que pode ser transmitido. De fato, ele tem. Porém, tem algo que não pode ser transmitido. Que será?

É um ritual o setting analítico, porém, a análise não ocorre somente no consultório.
Não há um mestre/ padre/ rabino/ pai de santo/ xamã/ pastor/psicólogo/psiquiatra/terapeuta holístico/ astrólogo, que guie o sujeito em sua dor, que lhe diga o que tem e como resolver o problema. Que lhe venda a ilusão de plenitude.
O que há é um analista que pode presentificar a falta, o vazio. Fazer semblant. Ele presentifica o não saber. Ele pode testemunhar e secretariar a loucura nossa de cada dia. 

Mas, por saber que não passa de um semblant, ele pode transmitir justamente que não há uma verdade absoluta. Afinal, ela só pode ser semidita. A fé, pede números inteiros, pede completude. Na psicanálise, não temos o inteiro. Temos o incompleto.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O discurso psi das mães e pais perdidos

É um fato. Pais sofrem, se angustiam, fazem loucuras, erram, acertam, ignoram, são gente de carne e osso. Muitas vezes, dão significados aos sintomas e ações do filho que são equivocados. O equívoco, não é em relação a estar interpretando certo ou não, mas, são os próprios filhos que muitas vezes sabem de que se trata em seus sofrimentos.
A dificuldade se faz presente. Não é fácil endossar a posição do filho. Na verdade, o difícil parece ser perceber que o filho tem desejos próprios, questões próprias e que sofre. Nesse campo, os pais, por sua vez, sofrem também.Senten-se impotentes, insuficientes e muitas vezes se distanciam em função de tamanha  dor de ver seus filhos sofrendo.
A área psi, oferece um amplo leque de atuações, idéias, tratamentos ás crianças.
Como a psicanálise trata, olha e entende esse desconforto entre pais e filhos?
Cada analista dirige cada caso singular. Porém, o que existe para esta área do saber é: o não saber.
O analista não sabe, os pais tampouco.Isso não tira a responsabilidade do lugar de pai e mãe.
A psicanálise pode oferecer a construção deste lugar. Sem regras, sem certezas. Com singularidades.
Pode ela orientar? Que tipo de orientação um analista dá? Aquela que diz: Não há receita. Os ingredientes estão aí, alguns podem faltar. Se faltar algum, o analista construirá junto com os pais e a criança. Se estão todos disponíveis, a direção é: Como fazer o bolo? Como os pais e o filho querem executar a receita?
É nisso que pais, mães e filhos são responsáveis. Cada um faz o bolo do jeito que é possível.

Palavras de mulheres dançantes

Uma vez, uma professora de dança me falou que seu corpo dói. Ela dizia: "Para uma musculatura se desenvolver, há, necessariamente uma lesão". Perguntei se não teria outra maneira de desenvolver o corpo, de trabalhá-lo sem que a dor esteja presente. A resposta, foi não.
Coloco a questão sobre o lugar da dor no corpo que se manifesta em vários bailarinos. Eles relatam, que, se o corpo dói, esse fato, é uma maneira de sentir que estão fazendo.
Seria um acting out?
Um imperativo? Tem que doer !
Uma posição dualista?
De que se trata do ponto de vista do corpo em psicanálise? Que corpo é esse?
Poderíamos pensar em uma fantasia de corpo morto?
O que quer dizer sentir que está fazendo? Fazendo o quê?
Questões iniciais para pensar em um trabalho de articulação entre dança- corpo- psicanálise.
Que sujeito é esse que diz ter que sentir dor para trabalhar o corpo?
Uma face masoquista?
Não parece ser tão simples a resposta.
Porém, o fato pede uma interpretação. De que se trata?

O médico, o paciente e o analista

Como é difícil para um analista em instituição dialogar com o médico que receita medicação para seu paciente! Que acontece que os campos da medicina e da psicanálise se apresentam tão distantes na questão do olhar e do tratamento?
Os psi, encontram sérias dificuldades de estabelecer um diálogo com médicos. Os médicos, quando não sabem o que fazer, encaminham para os psi. Porém, não dialogam.
Como costurar, criar um espaço de interlocução entre as duas áreas? Porque?
É mais fácil justificar do que costurar. É simples. Visando o paciente, este é o que mais tem a ganhar com esta interlocução.
Como ? Eis a questão. A medicina, em seu discurso de saber absoluto, deveria olhar para os sintomas não somente como algo aparente, mas, sim, como uma pergunta. Uma das maiores dificuldades dos médicos é a questão do não saber. É justamente aí, que a psicanálise pode acrescentar e o paciente se beneficiar.
A psicanálise dá lugar ao não saber. Isso causa uma certa dose de angústia, mas, faz toda a diferença na formação do médico. Este, não é analista, mas pode reconhecer que tem algo misterioso, algo que ele não entende. Com isso ele poderá avançar no tratamento de seu paciente. Como?
Tendo alguém, um lugar que ele se sinta confortável com sua falta de saber, ele terá que avançar e trabalhar, de fato, cada caso que atende. Falando, ele pode construir um saber a mais.
Ele poderá também, se distanciar um pouco da alienação do discurso médico. Traduzindo, ele vai olhar cada caso, como singular. Justamente o que a medicina anula. esse fato, é e será um diferencial.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Medicação para todos; análise para alguns

Freud dizia que o analista deve recuar diante da psicose. Ele não via possibilidade de um psicótico ser atendido por um analista. O universo excludente que foi se criando em torno da psicanálise, propiciou o lugar de exclusão. Excluídos da análise, aqueles que não podem bancá-la (tanto financeiramente quanto psíquicamente).
Lacan construiu o conceito de sintoma, envolvendo Marx na questão da proletariedade. Inovou! Somos proletários de saber inconsciente. Justo aí que a noção de sintoma aparece. Não sabemos dos nossos sintomas.
A parte questões analíticas, a indústria farmacêutica progride. Cria novas e mais novas medicações. Não só para psicóticos. Medicações para qualquer um que estiver um pouquinho preocupado com qualquer questão. O CID também acompanhou esta evolução da indústria farmacêutica. Criou transtornos e mais transtornos fazendo com que qualquer mortal se identificasse com um ou mais transtornos.
E? O que fazemos? Pergunto a todo e qualquer ser humano. Somos engolidos pela organização que produz doenças e remédios? Perdão! Eles são muito bons. tiram nossas questões, nos amortecem e nos deixam ver a vida mais bonita. Porém, quando paro a medicação, na maioria das vezes, por conta própria, o mundo desaba.
Desaba? Não. O mundo volta a ser o que era. O bicho papão ainda existe e está lá.
Outra forma de dizer, a sujeira está embaixo do tapete. A dor está lá. Será que não temos recursos para enfrentar nosso fantasma? Queremos mesmo viver alienados ao discurso da ciência? O todo poderoso?

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O caso que causa...

Causa o quê?
O que causa cada caso singular de um analista?
Cada caso causa uma causa.
Cada causa pode indicar a direção do tratamento.
A questão é sobre a causa que o analista não suporta.
Estamos no terreno da ética do psicanalista.
Estamos no encontro entre a análise pessoal daquele que se dá para atender e nas possibilidades ou não de realizar o atendimento.
De fato, é uma questão ética.
O singular do sujeito que busca uma análise esbarra na fantasia do analista.
O analista, por sua vez, vai até onde sua análise foi, ou seja, até sua castração e o além dela.
Afirmo: a formação de um analista, para além de seus estudos teóricos, para além de um título, tem mais relação com a análise pessoal deste e suas supervisões.
Concluo: É uma questão ética saber do insuportável de um caso e decidir atendê-lo, ou não.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Louise Bourgeois

Arte e psicanálise! Não é só na teoria que estes saberes se encontram. Basta olhar a exposição tão bem preparada do curador e arquivista que conviveu com Bourgeois. Nesta, a articulação entre conceitos psicanálíticos e o que a arte se presta estão explícitos. Temas como pulsão de morte, alienação, estádio do espelho, acting out, trauma, castração, desamparo estão presentificados e condensados em suas obras.
A difícil separação da mãe em seu desenho que enfoca o cordão umbilical e a dor e o ressentimento de uma mãe que parece não ter lhe dado o suficiente. Como sempre, afinal, as mães, faltam.
A destruição do pai. Que pai é esse? O que precisou destruir deste homem? Alguém tem alguma informação sobre suas relações com pai e mãe?
E sobre o trauma? De que se trata?
A exposição, mais levanta questões. Causa. Causa angústia, perturbação, questionamento, reflexões.
Angústia pelo seu aprisionamento em relação á sua constituição psíquica.
Perturbação da ordem real. Seus trabalhos suscitam nossas pulsões de morte.
Questionamento sobre qual seriam seus nós. O que lhe aconteceu?
Reflexões acerca da função da arte. Ela escreve que a arte é uma forma de sanidade. Sim. Também.
Cabe aos analistas, desenvolverem como se dá a articulação entre esses dois mundos. O imaginário exposto e pedindo tradução e o olhar diferenciado que uma análise pode nos dar.
Louise sabe mais que qualquer analista sobre esse enodamento.
A quem podemos nos dirigir já que a artista /analista não está?
Morreu.
A impressão é que ela matou o pai, foi engolida pela mãe. Realizou a fantasia de ser devorada por uma mãe aranha. Desejou esta mulher.
Simplisticamente, matou o pai e ficou com a mãe.
Presa em sua história, sua dor.
Retratou-a com detalhes, muito trabalho psíquico, e primorosidade.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Aonde está Wally?

Atualmente, por onde andamos, ciscamos, farejamos, festejamos, entristecemos, adoecemos, aonde está o sujeito? Para ter uma boa qualidade de vida, devemos nos alimentar adequadamente. Tem uma matéria na revista Joyce Pascowitch de março de 2011 que trata da ditadura da qualidade de vida.
Uma endocrinologista, aborda questões sobre a singularidade. Uma endocrinologista! Como?
Ela coloca que devemos conhecer nosso corpo e não se perder nos modismos. Uma pessoa com problemas de tireóide, que apresenta baixo colestererol, deveria comer gordura. Ou seja, a teoria de que a gordura é uma grnade vilã não se encaixa para aquele corpo que apresenta o particular de baixo colesterol.
Protetor solar em excesso faz mal pois tira a vitamina D. Quem tem problemas de tireóride pode apresentar carência desta vitamina e enfraquecer os ossos.
No mês de junho/ 2011 no programa da cultura do mesa redonda esta o grande Alfred Halpern. Ele, absoluto, sabia de tudo e afirmava que obesidade é doença e que todos os obesos devem tomar remédio.
Um jornalista injuriado perguntou: Porque medicar todos? e o absoluto respondeu: "São todos doentes, têem que tomar remédio para o resto da vida". Aqui, não cabe discutir questões científicas médicas, mas sim, abrir um espaço para questionar.
Pois bem, a minha pergunta é: Aonde está o sujeito no discurso médico? O sujeito, aquele que é singular. Impressionante como a medicina, de certa maneira, infantiliza o sujeito fazendo com que ele não se responsabilize pelo seu corpo, suas escolhas, seus desejos.
O que fazer diante da homogeinização, da pasteurização, da alienação?
Resistir. Apresentar um discurso de resistência e de responsabilidade. Cavar um buraco aonde o discurso capitalista tapa.
Pensar na indústria farmacêutica que faz do médico, um mero objeto. Que por sinal, faz do paciente, outro mero objeto. Irresponsável. Neste ponto, há uma transmissão: "Crio o remédio (indústria), você cria a doença (médico) e o paciente, não tem nada com isso. Goza alienadamente.
Aos paciente, lembrem-se: Aumento de gozo, perda de desejo.