Que quer dizer isso?
Sabemos que não há garantias.
Sabemos que não há títulos que garantem uma boa escuta e direção do tratamento.
Sabemos que nem todos são, foram ou pretendem ser analisados.
Sabemos que nem todos fazem a necessária supervisão.
Sabemos que nem todos são não todos.
Então?
Que lugar é esse que se sustenta ou não na clínica?
Em que o sujeito, semblant de objeto se autoriza?
quinta-feira, 28 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
O que dizer do massacre no Rio de Janeiro?
Justamente por não ter palavras, escrevo. Não há comentário possível de elaboração para tal fato.
O episódio nos coloca em situação de desamparo. Somos objeto do gozo do outro.
Lamentável, triste, desesperador, violento, louco, totalmente imprevisto, mais e mais e mais.
Aonde estamos? Que mundo é esse?
Neste mundo, o louco não tem lugar.
É preciso olhar justamente aquela criança que não "dá trabalho". O Brasil é um país atrasado em termos de investimento nos profissionais da psicologia. As escolas não contam com psicólogos.
Eles, os psi, não evitam nada. Porém, identificam que o sujeito precisa de tratamento.
É o que posso falar.
De resto, luto geral.
O episódio nos coloca em situação de desamparo. Somos objeto do gozo do outro.
Lamentável, triste, desesperador, violento, louco, totalmente imprevisto, mais e mais e mais.
Aonde estamos? Que mundo é esse?
Neste mundo, o louco não tem lugar.
É preciso olhar justamente aquela criança que não "dá trabalho". O Brasil é um país atrasado em termos de investimento nos profissionais da psicologia. As escolas não contam com psicólogos.
Eles, os psi, não evitam nada. Porém, identificam que o sujeito precisa de tratamento.
É o que posso falar.
De resto, luto geral.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Palavra de Bolsonaro- "Todos nós somos iguais perante a lei".
Nem todos homem, nem todos. O pai da horda primitiva, aquele que gozava de todas as mulheres e fundava o clã de filhos castrados, esse não. Perante a lei, ele era uma exceção. O único que escapava á castração. O bom é que a lei só existe em função do corte de gozo.
Como este sujeito se posiciona perante à lei? Como lida com a castração? Como entende o desejo? Como se relaciona com a diferença?
A resposta é simples. Em sua lógica, devemos fundar uma raça ariana. Assim como Hitler, torturava, matava, oprimia os judeus, Bolsonaro segue o exemplo dizendo implicitamente que devemos torturar negros, gays e na linha de seu raciocínio qualquer um que pense diferente. Ainda estamos na época da ditadura. O povo ainda elege esse pai que goza.
A problemática que se impõe é que ele expressa claramente o que muitos pensam mas se calam pois não é socialmente aceito. Qual a responsabilidade que o eleitor tem de fazer essa escolha? O que leva a um sujeito do século XXI a votar neste homem que remete a Furer? Tem algo de atemporal nisso não acham? Algo que está para além do tempo histórico em que vivemos.
Coloco-o como um homem mitológico. Neste sentido, atemporal. Ele não sabe que período está. É o pai da horda primitiva do Totem e Tabu. Ele está acima de todos e todas. Ele é a lei. Neste sentido, muitos se colocam como sendo a lei. Julgando os outros, vivendo fechadinhos em seus pontos de vista, procurando os iguais.
Porque nos custa tanto conviver com o diferente?
A resposta, talvez aponte para a castração. O sujeito contemporâneo tem uma grande dificuldade de lidar com a lei. Todos querem ser o únicos que escapam `a ela, à tão temível CASTRAÇÃO.
Dói escolher, perder. Dá trabalho conviver com o diferente.
Porém, a vida de enriquece. Quando se tem um limite, tem-se um alívio. Não podemos ir até aqui, mas podemos ir para outro lado.
Bolsonaro é um alienado de Hitler. Um alienado do pai da horda. Não sabe dos limites justamente por ser engolido. Um ser com semblant de psicótico que escapa á castração. Ele parece não saber dela.
Mas, será que não sabe mesmo?
Seria um perverso que dissimula. Sabe, mas finge que não sabe?
Para além das elocubrações psicanalíticas, quais os efeitos de sua fala no programa CQC? Como o telespectador escutou? O que o outro lado tem a dizer?
Como avançar neste nó que a fala de um homem causou? O que fazer com isso?
Como este sujeito se posiciona perante à lei? Como lida com a castração? Como entende o desejo? Como se relaciona com a diferença?
A resposta é simples. Em sua lógica, devemos fundar uma raça ariana. Assim como Hitler, torturava, matava, oprimia os judeus, Bolsonaro segue o exemplo dizendo implicitamente que devemos torturar negros, gays e na linha de seu raciocínio qualquer um que pense diferente. Ainda estamos na época da ditadura. O povo ainda elege esse pai que goza.
A problemática que se impõe é que ele expressa claramente o que muitos pensam mas se calam pois não é socialmente aceito. Qual a responsabilidade que o eleitor tem de fazer essa escolha? O que leva a um sujeito do século XXI a votar neste homem que remete a Furer? Tem algo de atemporal nisso não acham? Algo que está para além do tempo histórico em que vivemos.
Coloco-o como um homem mitológico. Neste sentido, atemporal. Ele não sabe que período está. É o pai da horda primitiva do Totem e Tabu. Ele está acima de todos e todas. Ele é a lei. Neste sentido, muitos se colocam como sendo a lei. Julgando os outros, vivendo fechadinhos em seus pontos de vista, procurando os iguais.
Porque nos custa tanto conviver com o diferente?
A resposta, talvez aponte para a castração. O sujeito contemporâneo tem uma grande dificuldade de lidar com a lei. Todos querem ser o únicos que escapam `a ela, à tão temível CASTRAÇÃO.
Dói escolher, perder. Dá trabalho conviver com o diferente.
Porém, a vida de enriquece. Quando se tem um limite, tem-se um alívio. Não podemos ir até aqui, mas podemos ir para outro lado.
Bolsonaro é um alienado de Hitler. Um alienado do pai da horda. Não sabe dos limites justamente por ser engolido. Um ser com semblant de psicótico que escapa á castração. Ele parece não saber dela.
Mas, será que não sabe mesmo?
Seria um perverso que dissimula. Sabe, mas finge que não sabe?
Para além das elocubrações psicanalíticas, quais os efeitos de sua fala no programa CQC? Como o telespectador escutou? O que o outro lado tem a dizer?
Como avançar neste nó que a fala de um homem causou? O que fazer com isso?
sábado, 2 de abril de 2011
Geração 2.0
Uma mulher, uma escritora inglesa. Ela escreveu um artigo riquíssimo na revista Piauí de fevereiro de 2011, para marcar sua posição e problematizar a questão internética. A autora, diz e nomeia sua matéria: "Quero ficar na geração 1.0".
Dentre as brilhantes construções, críticas e questões que coloca, destaco uma. Ela escreve: "...quando uma adolescente é assassinada, pelo menos na Inglaterra, seu mural do facebook muitas vezes se cobre de mensagens que parecem não se ter dado conta da gravidade do que ocorreu. "
A menina assassinada, presupõe-se que está morta certo? Pois bem, no mural da página de seu facebook existiam frases do tipo: "Que peeeeena querida! Ai que saudade! Agora vc tá com os anjinhos do céu! Lembrei que adorava muuuuito as suas piadas rsrsrs! PAZ! Bjs".
Pasmem!!!!!!!!!!
A autora, ficou assustada com alguns fatos. Ela se pergunta como é possível o mural da menina ainda estar no ar já que faleceu e também se as jovens amigas ainda acreditam que a menina está viva.
Porém, responde: "E que diferença faz se, no fim das contas, todo o contato com ela sempre foi virtual?".
O que significa essa forma de contato? É uma forma,mas, seria esta, uma relação?
Sem moralismos com questões da máquina, o mundo virtual está para além dos computadores.Porém, ali, em um "lugar" invisível, nega-se a tragicidade e a violência de uma situação absurda. No virtual, ignora-se perversamente o limite último do homem. A morte.
Lá, não há luto que possa significar e resignificar a perda. Aliás, algo que não apareçe no mundo virtual é a falta.
Mas, há algo de bom em encontrar antigas amizades e se sentir incluído no que supostamente se denomina social. O problema é que a menina morre e é como se não tivesse morrido. Isso a exclui. A ilusão está em supor que se está incluso.
O sujeito virtual, está excluído de si mesmo.
Ele se aliena ao outro e isso aparece na forclusão da morte de um amigo. Ele é o outro, ele é todos os outros. Aos cacos, ao corpo fragmentado que o sujeito se dá para se cindido, ele se aliena.
No virtual, não há possibilidade de separação. Não há perda.
Há palavras que buscam a complementariedade para dar conta do nosso vazio estrutural....
Dentre as brilhantes construções, críticas e questões que coloca, destaco uma. Ela escreve: "...quando uma adolescente é assassinada, pelo menos na Inglaterra, seu mural do facebook muitas vezes se cobre de mensagens que parecem não se ter dado conta da gravidade do que ocorreu. "
A menina assassinada, presupõe-se que está morta certo? Pois bem, no mural da página de seu facebook existiam frases do tipo: "Que peeeeena querida! Ai que saudade! Agora vc tá com os anjinhos do céu! Lembrei que adorava muuuuito as suas piadas rsrsrs! PAZ! Bjs".
Pasmem!!!!!!!!!!
A autora, ficou assustada com alguns fatos. Ela se pergunta como é possível o mural da menina ainda estar no ar já que faleceu e também se as jovens amigas ainda acreditam que a menina está viva.
Porém, responde: "E que diferença faz se, no fim das contas, todo o contato com ela sempre foi virtual?".
O que significa essa forma de contato? É uma forma,mas, seria esta, uma relação?
Sem moralismos com questões da máquina, o mundo virtual está para além dos computadores.Porém, ali, em um "lugar" invisível, nega-se a tragicidade e a violência de uma situação absurda. No virtual, ignora-se perversamente o limite último do homem. A morte.
Lá, não há luto que possa significar e resignificar a perda. Aliás, algo que não apareçe no mundo virtual é a falta.
Mas, há algo de bom em encontrar antigas amizades e se sentir incluído no que supostamente se denomina social. O problema é que a menina morre e é como se não tivesse morrido. Isso a exclui. A ilusão está em supor que se está incluso.
O sujeito virtual, está excluído de si mesmo.
Ele se aliena ao outro e isso aparece na forclusão da morte de um amigo. Ele é o outro, ele é todos os outros. Aos cacos, ao corpo fragmentado que o sujeito se dá para se cindido, ele se aliena.
No virtual, não há possibilidade de separação. Não há perda.
Há palavras que buscam a complementariedade para dar conta do nosso vazio estrutural....
terça-feira, 29 de março de 2011
Quando se busca uma análise?
Via de regra, quando nos encontramos angustiados, em sofrimento, fazemos algo. Alguns comem demais, alguns choram, alguns trabalham excessivamente, alguns dançam, cantam, reclamam de tudo, se isolam, buscam amigos para falar... Cada sujeito tem uma saída frente à dor. Outros, buscam cartomantes, psicólogos, igrejas, xamãs, yoga, shiatsu, remédios...
Cada área do saber olha o ser humano sob um prisma. O médico, vê o corpo físico, a questão orgânica. Trata medicando ou dizendo que não é necessária a medicação.
O psicólogo, avalia o grau de ajustamento do ser ao social. O tratamento se dá por um "concerto" emocional.
O psicanalista, trata pela via da fala. Desde o início do tratamento, propõe que há uma dimensão de não saber na estrutura psíquica de todos os seres humanos. Isso, significa que além de sermos seres faltantes, incompletos, que jamais saberemos tudo. Esse princípio socratiniano do "só sei que nada sei" tráz à luz o INCONSCIENTE. ELE, existe e se manifesta pela via dos sonhos, atos falhos, chistes, silêncios...
Quando o ser não sabe porque disse tal coisas, quando tem atitudes que não entende, quando sente um mal-estar que não identifica da onde vem, aí, encontramos algo que vai além da razão. Um não saber. Algo da ordem inconsciente.
A psicanálise, como uma das muitas áreas do saber, pode oferecer um olhar e uma escuta do sujeito que sofre sabendo que não se sabe do outro. Isto é um diferencial das outras áreas na medida em que na medicina e na psicologia o outro sabe. O médico, se coloca como aquele que sabe do corpo. O psicólogo aquele que sabe da emoção, razão, da adequação.
O analista sabe até onde foi sua própria análise. É neste ponto que ele poderá saber até onde pode ajudar o analisante. É de um saber inconsciente que se trata.
Cada sujeito é singular, tem uma história de vida e responde ao lugar que foi colocado no mundo de uma forma. Acontece que ás vezes a saída que se encontrou não está mais satisfatória. Aparece um sofrimento.
O analista vai tratar propondo que o analisante fale de seu mal estar. Vai intervir e fazer o paciente trabalhar e desejar saber sobre seu inconsciente, sobre o que manca em sua vida, sobre suas faltas.
E o desfecho, é particular de cada um. Se a falta existe, ele deseja...
Cada área do saber olha o ser humano sob um prisma. O médico, vê o corpo físico, a questão orgânica. Trata medicando ou dizendo que não é necessária a medicação.
O psicólogo, avalia o grau de ajustamento do ser ao social. O tratamento se dá por um "concerto" emocional.
O psicanalista, trata pela via da fala. Desde o início do tratamento, propõe que há uma dimensão de não saber na estrutura psíquica de todos os seres humanos. Isso, significa que além de sermos seres faltantes, incompletos, que jamais saberemos tudo. Esse princípio socratiniano do "só sei que nada sei" tráz à luz o INCONSCIENTE. ELE, existe e se manifesta pela via dos sonhos, atos falhos, chistes, silêncios...
Quando o ser não sabe porque disse tal coisas, quando tem atitudes que não entende, quando sente um mal-estar que não identifica da onde vem, aí, encontramos algo que vai além da razão. Um não saber. Algo da ordem inconsciente.
A psicanálise, como uma das muitas áreas do saber, pode oferecer um olhar e uma escuta do sujeito que sofre sabendo que não se sabe do outro. Isto é um diferencial das outras áreas na medida em que na medicina e na psicologia o outro sabe. O médico, se coloca como aquele que sabe do corpo. O psicólogo aquele que sabe da emoção, razão, da adequação.
O analista sabe até onde foi sua própria análise. É neste ponto que ele poderá saber até onde pode ajudar o analisante. É de um saber inconsciente que se trata.
Cada sujeito é singular, tem uma história de vida e responde ao lugar que foi colocado no mundo de uma forma. Acontece que ás vezes a saída que se encontrou não está mais satisfatória. Aparece um sofrimento.
O analista vai tratar propondo que o analisante fale de seu mal estar. Vai intervir e fazer o paciente trabalhar e desejar saber sobre seu inconsciente, sobre o que manca em sua vida, sobre suas faltas.
E o desfecho, é particular de cada um. Se a falta existe, ele deseja...
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Ainda sobre o cisne negro...a bailarina- louca?
Menos perturbada, acrescento um ponto que se destaca na minha pretensão de analisar o filme. O SUPEREGO tirano. Fica evidente a rigidez deste. Quando isso ocorre, não sobram mesmo muitas saídas para o sujeito. Acontece, que, ao mesmo tempo que o superego exige, ordena, ele é o que possibilita o sujeito gozar. Nese sentido, aonde tem excesso de gozo, tem desejo de menos.
O gozo da pressão, da idéia de alcançar uma perfeição. Um mundo sem falhas. Ufa! Que terror. Um mundo perfeito, se é que pode ser viável, não deixa o sujeito desejar. Tudo bem que ela queria o papel principal. É que o desejo, não me parece que seja da ordem do querer. Como ela poderia desejar se uma das condições de desejar é estar separado do outro?
A personagem, estava alienada no desejo materno. Qual seria seu desejo caso não estivesse alienada?
O ballet, se coloca aqui, como sua estrutura de transmissão psiquíca entre gerações: a mãe frustrada, a filha falo. Essa relação, encerra-se em um circuito imagináriamente dual, carente de significantes.
Alucinações provenientes desta forma de relação especular. Como se uma possível tradução fosse: Minha filha é o que eu desejo. A filha, pode até ser o que a mãe deseja, mas, nunca sem consequências.
Ela poderia fazer uma análise para após algum trabalho psíquico, se colocar neste lugar (de ser o falo da mãe), mas responsável por isso. Sabendo disto.
No caso, apareceu sua loucura, que nos deixa uma questão. O louco, precisaria passar por sua própria loucura para se curar? No caso da personagem, viver essa loucura,foi a morte. Tentando dar conta desta mãe, ela enlouquece.
Mas era louca de fato? Como se articula o superego na psicose? E as auto-flagelações? Masoquismo feminino? Punição do superego por atacar a mãe inconscientemente? Porque em suas alucinações não matou a mãe? Em nome do amor? O amor que leva a morte? Amor cortês?
O gozo da pressão, da idéia de alcançar uma perfeição. Um mundo sem falhas. Ufa! Que terror. Um mundo perfeito, se é que pode ser viável, não deixa o sujeito desejar. Tudo bem que ela queria o papel principal. É que o desejo, não me parece que seja da ordem do querer. Como ela poderia desejar se uma das condições de desejar é estar separado do outro?
A personagem, estava alienada no desejo materno. Qual seria seu desejo caso não estivesse alienada?
O ballet, se coloca aqui, como sua estrutura de transmissão psiquíca entre gerações: a mãe frustrada, a filha falo. Essa relação, encerra-se em um circuito imagináriamente dual, carente de significantes.
Alucinações provenientes desta forma de relação especular. Como se uma possível tradução fosse: Minha filha é o que eu desejo. A filha, pode até ser o que a mãe deseja, mas, nunca sem consequências.
Ela poderia fazer uma análise para após algum trabalho psíquico, se colocar neste lugar (de ser o falo da mãe), mas responsável por isso. Sabendo disto.
No caso, apareceu sua loucura, que nos deixa uma questão. O louco, precisaria passar por sua própria loucura para se curar? No caso da personagem, viver essa loucura,foi a morte. Tentando dar conta desta mãe, ela enlouquece.
Mas era louca de fato? Como se articula o superego na psicose? E as auto-flagelações? Masoquismo feminino? Punição do superego por atacar a mãe inconscientemente? Porque em suas alucinações não matou a mãe? Em nome do amor? O amor que leva a morte? Amor cortês?
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Cisne negro, o filme
Porquê negro? Tradicionalmente, no ballet, este clássico, é conhecido como "O lago dos cisnes". O filme que estreiou e está pipocando nas salas de cinema, concorrendo ao Oscar se chama: Cisne negro. Novamente, porque negro?
Me parece que estamos no campo dos anjos e demônios, mocinhos e bandidos, ou seja, no campo infantil. Infantil no sentido de dividirmos o mundo entre bom e mau, as pessoas entre fortes e fracas, vítimas e algozes. A criança, via de regra, não concebe o cuidador como alguém com falhas, que pode ter um lado bom mas outro nem tanto.
No filme, tenta-se uma espécie de unificação entre o lado angelical e o lado obscuro de uma mulher. Quando a mesma personagem dança em dois lugares (do fraco e do forte), ela se cinde. Não há espaço para uma dialética.
Ela tenta, mas a única e radical saída que encontra é a morte.
A bailarina que perdeu o papel principal na companhia de dança, se mata. A bailarina que ganhou o papel principal, também se mata.
A personagem de Natalie Portman, tem uma mãe bruxa, maligna. Uma mãe que não realizou o desejo de ser bailarina ou que realizou e não foi o suficiente. O ballet, parece ser um tipo de dança na qual as transmissões psíquicas entre mãe e filha ocorrem.
O filme trouxe a tona o dark continente. A mulher e o que ela não diz. Como pode uma menina se tornar mulher sem confrontar e encarar sua relação com a mãe? Como o ballet tras a tona esse vínculo tão especial e muitas vezes mortífero.
A mulher e sua falta. Quando se torna mãe, vive na ilusão de ser preenchida por um bebê falo. A personagem era o falo da mãe. Neste lugar, o desfecho foi uma série de sintomas como auto-flagelação, vômitos e alucinações com caráter paranóico.
Como podemos analisar o filme? Do ponto de vista da transmissão psíquica no ballet? Sob o olhar do feminino?
E a perfeição que o ballet tanto almeja? No final, ela diz: "agora está perfeito". Quando morre está perfeito? Instinto de auto-destruição que o ballet invoca?
E o gozo? Que gozo é esse? Que lugar no mundo cada personagem se encontra? Como ser um cisne negro que é aquele que causa o desejo do outro? Como causar?
Longe de fechar questão, o filme abre para outras tantas, mas, deixa sua marca: A PERTURBAÇÃO.
Me parece que estamos no campo dos anjos e demônios, mocinhos e bandidos, ou seja, no campo infantil. Infantil no sentido de dividirmos o mundo entre bom e mau, as pessoas entre fortes e fracas, vítimas e algozes. A criança, via de regra, não concebe o cuidador como alguém com falhas, que pode ter um lado bom mas outro nem tanto.
No filme, tenta-se uma espécie de unificação entre o lado angelical e o lado obscuro de uma mulher. Quando a mesma personagem dança em dois lugares (do fraco e do forte), ela se cinde. Não há espaço para uma dialética.
Ela tenta, mas a única e radical saída que encontra é a morte.
A bailarina que perdeu o papel principal na companhia de dança, se mata. A bailarina que ganhou o papel principal, também se mata.
A personagem de Natalie Portman, tem uma mãe bruxa, maligna. Uma mãe que não realizou o desejo de ser bailarina ou que realizou e não foi o suficiente. O ballet, parece ser um tipo de dança na qual as transmissões psíquicas entre mãe e filha ocorrem.
O filme trouxe a tona o dark continente. A mulher e o que ela não diz. Como pode uma menina se tornar mulher sem confrontar e encarar sua relação com a mãe? Como o ballet tras a tona esse vínculo tão especial e muitas vezes mortífero.
A mulher e sua falta. Quando se torna mãe, vive na ilusão de ser preenchida por um bebê falo. A personagem era o falo da mãe. Neste lugar, o desfecho foi uma série de sintomas como auto-flagelação, vômitos e alucinações com caráter paranóico.
Como podemos analisar o filme? Do ponto de vista da transmissão psíquica no ballet? Sob o olhar do feminino?
E a perfeição que o ballet tanto almeja? No final, ela diz: "agora está perfeito". Quando morre está perfeito? Instinto de auto-destruição que o ballet invoca?
E o gozo? Que gozo é esse? Que lugar no mundo cada personagem se encontra? Como ser um cisne negro que é aquele que causa o desejo do outro? Como causar?
Longe de fechar questão, o filme abre para outras tantas, mas, deixa sua marca: A PERTURBAÇÃO.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Popular- "ser ou não ser".
Tema atual e insistente entre jovens e crianças. Todos querem ser popular. O que significa isso? O que entendem por popularidade? Quem é? Quem não é? Quais as consequências de ser ou não ser?
Seria diferente colocar a questão como ter popularidade ou não ter? Me parece que a questão imposta no que diz respeito a popular, se refere a questão do ser. Ontologicamente. Quase como qual é o seu signo? Qual é o seu gênero sexual?
O ser humano se reduz ao ser. O ser, marca algo de imutável. Quando falamos sou assim, sou sou, sou, sou, não abrimos outras possibilidades de sair de uma lógica dualista, sem dialéticas.
Quando pensamos em popular, pensamos: do povo. Pensamos em um caráter que marca uma pessoa. Uma pessoa simpática, que tem muitos amigos, que é conhecida por todos.
Que será isso que se impõe nos contextos escolares que os alunos agarram com unhas e dentes? Que tradução possível para este fenômeno?
Será que se trata de uma forma de defesa da exclusão, do não laço social? Uma resposta radical para tentar dar conta de um saber que não sabe? Um signo do feminino? A garota popular.
A garota popular é de todos? Um lugar objetal? A menina se coloca ativamente neste lugar?
Seria então uma fantasia na qual a menina mulher supõe ao menino? Seria ela desejada pelo fato de ser popular?
Triste então das que não forem...
Então, surge a questão: O que fazer para ser? É tão simples a resposta. Basta deixar de ser o que, de fato, se é. Basta perder a identidade que ainda se esconde. Em nome de quê? Não sabemos.
Este tema, merece ser aprofundado já que nos parece tão "raso", "ridículo", "menos importante". Afinal, é o que se aprende na escola.
Seria diferente colocar a questão como ter popularidade ou não ter? Me parece que a questão imposta no que diz respeito a popular, se refere a questão do ser. Ontologicamente. Quase como qual é o seu signo? Qual é o seu gênero sexual?
O ser humano se reduz ao ser. O ser, marca algo de imutável. Quando falamos sou assim, sou sou, sou, sou, não abrimos outras possibilidades de sair de uma lógica dualista, sem dialéticas.
Quando pensamos em popular, pensamos: do povo. Pensamos em um caráter que marca uma pessoa. Uma pessoa simpática, que tem muitos amigos, que é conhecida por todos.
Que será isso que se impõe nos contextos escolares que os alunos agarram com unhas e dentes? Que tradução possível para este fenômeno?
Será que se trata de uma forma de defesa da exclusão, do não laço social? Uma resposta radical para tentar dar conta de um saber que não sabe? Um signo do feminino? A garota popular.
A garota popular é de todos? Um lugar objetal? A menina se coloca ativamente neste lugar?
Seria então uma fantasia na qual a menina mulher supõe ao menino? Seria ela desejada pelo fato de ser popular?
Triste então das que não forem...
Então, surge a questão: O que fazer para ser? É tão simples a resposta. Basta deixar de ser o que, de fato, se é. Basta perder a identidade que ainda se esconde. Em nome de quê? Não sabemos.
Este tema, merece ser aprofundado já que nos parece tão "raso", "ridículo", "menos importante". Afinal, é o que se aprende na escola.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Dieta Mediterrânea- o que nos alimenta?
O filme tenta dar ares de Almodovár, os atores deixam a desejar.
Porém, toca o sujeito. A fantasia feminina alimenta o telespectador. Homens e mulheres terão opiniões e sensações contraditórias.
O filme dá fome. Fome de...
Cada um tem a sua.
Vale a pena refletir - Temos fome de quê?
Ou, traduzindo, o que nos causa? O que nos faz desejar?
Que oralidade é essa que os humanos têem? Ninguém pode perder?
Como seria ter tudo? Ou melhor, a ilusão de ter tudo?
Porém, toca o sujeito. A fantasia feminina alimenta o telespectador. Homens e mulheres terão opiniões e sensações contraditórias.
O filme dá fome. Fome de...
Cada um tem a sua.
Vale a pena refletir - Temos fome de quê?
Ou, traduzindo, o que nos causa? O que nos faz desejar?
Que oralidade é essa que os humanos têem? Ninguém pode perder?
Como seria ter tudo? Ou melhor, a ilusão de ter tudo?
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Tetro, o filme do sintoma.
Tetro ou tétrico é o filme. Enredo brilhante. Pontual na idéia da criança como sintoma da família, denunciando a verdade dos pais.
Questões sobre o que pode ser transmitido entre gerações aparecem de maneira clara.
O que pode ser transmitido? Mais especificamente quando uma família guarda um segredo. Algo velado que gera sintomas. Um homem que só pode se tornar pai a partir do momento da morte do pai.
O filme trata de questões psicanalíticas no âmbito dos sintomas infantis e no conceito de loucura proposto por Lacan. Além disso, Tetro, ilustra a falta da função paterna e a consequência automática da paralisação de um sujeito, da sua morte em vida. Um sujeito tétrico, tomado por uma angústia profunda, vendo a vida passar.
Coppolla é magnífico...
Questões sobre o que pode ser transmitido entre gerações aparecem de maneira clara.
O que pode ser transmitido? Mais especificamente quando uma família guarda um segredo. Algo velado que gera sintomas. Um homem que só pode se tornar pai a partir do momento da morte do pai.
O filme trata de questões psicanalíticas no âmbito dos sintomas infantis e no conceito de loucura proposto por Lacan. Além disso, Tetro, ilustra a falta da função paterna e a consequência automática da paralisação de um sujeito, da sua morte em vida. Um sujeito tétrico, tomado por uma angústia profunda, vendo a vida passar.
Coppolla é magnífico...
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